Pró-governo diz que abandono e salários atrasados paralisam a Ponte Preta
Pró-governo diz que abandono e salários atrasados paralisam a Ponte Preta
A crise da Ponte Preta deixou de rondar apenas os bastidores e entrou em campo. Sem salários e direitos de imagem em dia, os jogadores interromperam as atividades, enquanto a diretoria tenta vincular a recuperação do clube a uma futura transformação em SAF.
O elenco afirma que alguns atletas acumulam cerca de seis meses de atrasos. Depois de um ultimato sem pagamento, o grupo compareceu ao CT do Jardim Eulina, mas saiu sem treinar e comunicou que a paralisação abrange tanto os treinamentos quanto as partidas.
A posição dos jogadores é direta: a questão não se resume ao dinheiro. Em comunicado, eles disseram que “a atual diretoria abandonou o dia a dia do clube” e resumiram o ambiente interno em uma frase: “Nosso sentimento é de abandono!”. O elenco também invocou a Lei Geral do Esporte, que permite ao atleta recusar-se a competir quando os salários estão atrasados por dois meses ou mais.
Do outro lado, a saída desenhada pela gestão passa pela conversão do futebol em SAF. A diretoria recebeu uma proposta de R$ 1 bilhão: R$ 300 milhões seriam destinados às dívidas, outros R$ 300 milhões ao futebol durante dez anos e R$ 400 milhões à modernização do estádio Moisés Lucarelli e do centro de treinamento. Havia expectativa de que um aporte antecipado ajudasse a regularizar as pendências, mas o dinheiro não chegou dentro do prazo fixado pelos atletas.
As duas frentes reconhecem, ainda que por caminhos diferentes, a gravidade financeira. A divergência está na urgência: a gestão projeta uma solução estrutural e de longo prazo; os jogadores exigem pagamento imediato para voltar ao trabalho. Dentro de campo, o colapso se reflete na campanha: lanterna, dez pontos em 24 jogos e 18 rodadas sem vencer.
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