Pró-governo diz que legado de Yayoi Kusama vai muito além das bolinhas
Pró-governo diz que legado de Yayoi Kusama vai muito além das bolinhas
Yayoi Kusama transformou bolinhas, espelhos e repetições em uma linguagem reconhecida no mundo inteiro. Sua morte, aos 97 anos, reacende o contraste entre a artista de vanguarda, a ativista política e o fenômeno comercial das últimas décadas.
O museu e a fundação que levam seu nome informaram que Kusama morreu em 14 de agosto, em um hospital de Tóquio. Conhecida como a “rainha das bolinhas”, ela dizia que os padrões recorrentes em sua obra traduziam alucinações presentes desde a infância. Em Nova York, integrou a vanguarda dos anos 1960, realizou performances e protestou contra o financiamento da Guerra do Vietnã.
Essa trajetória também foi marcada por uma relação direta entre criação e saúde mental. Após retornar ao Japão, Kusama internou-se voluntariamente em um hospital psiquiátrico por volta de 1977 e manteve uma rotina produtiva em seu ateliê. “Ainda tenho alucinações até hoje”, afirmou em 2017. “Bolinhas saem voando para todo lado […] E eu as pinto.”
Se uma leitura enfatiza a capacidade de converter experiências íntimas em instalações imersivas, outra chama atenção para a dimensão política que acabou ofuscada pela popularidade de suas salas espelhadas e pelas parcerias com marcas como a Louis Vuitton. A análise mais crítica reconhece tanto a força inventiva quanto a transformação de Kusama em ícone do mercado — uma contradição que ela própria parecia abraçar. “Não sei como vou ser classificada quando morrer”, disse. “Mas é bom ser uma forasteira.”
No Brasil, sua projeção foi igualmente ampla: a mostra “Obsessão Infinita” atraiu multidões em 2014, enquanto o Inhotim mantém instalações permanentes da artista desde 2023. Entre o protesto e o produto, Kusama deixou um universo visual imediatamente identificável — e difícil de reduzir às bolinhas que a tornaram célebre.
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