Pró-governo diz que queda do desemprego é histórica, mas renda e informalidade freiam a euforia
Pró-governo diz que queda do desemprego é histórica, mas renda e informalidade freiam a euforia
O mercado de trabalho brasileiro alcançou uma combinação rara: desemprego nas mínimas históricas e ocupação recorde. Por trás da fotografia positiva, porém, renda parada e informalidade em alta mostram que conseguir trabalho não significa, necessariamente, obter uma vaga melhor.
A taxa de desocupação caiu de 5,8% para 5,3% no trimestre encerrado em julho, o menor nível para o período desde o início da série do IBGE, em 2012. O número de ocupados chegou ao recorde de 103,3 milhões, após a criação de 1 milhão de postos em relação ao trimestre anterior. Já o contingente de desempregados recuou 8%, para 5,8 milhões.
A leitura mais favorável destaca que a expansão não se limitou a retirar pessoas da fila do desemprego. O emprego privado com carteira assinada atingiu 39,4 milhões, também recorde. “A população ocupada está aumentando e tirando pessoas da desocupação”, afirmou William Kratochwill, analista do IBGE.
O contraponto aparece na qualidade e na remuneração das vagas. O número de empregados sem carteira cresceu 3,6% no trimestre, alcançando 13,8 milhões, enquanto a informalidade subiu de 37,2% para 37,5% da população ocupada. Esses trabalhadores ficam sem garantias como seguro-desemprego, férias e 13º salário.
A renda média mensal ficou em R$ 3.762, variação trimestral de menos 0,7% que o IBGE considera estatisticamente estável. Parte desse freio pode estar na construção civil, responsável por 371 mil novos ocupados e marcada por salários inferiores à média. Ainda assim, na comparação anual, o rendimento avançou 3,3%, e a massa de renda alcançou o recorde de R$ 383,5 bilhões.
Assim, as leituras convergem quanto à força dos números, mas divergem no entusiasmo. O país emprega mais e tem menos pessoas procurando vaga; ao mesmo tempo, a renda perdeu impulso e uma parcela expressiva da expansão continua fora da proteção formal.
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