Renan aposta em bomba nuclear e medidas de exceção — e esbarra na Constituição
Renan aposta em bomba nuclear e medidas de exceção — e esbarra na Constituição
Renan Santos transformou a sabatina da TV Globo em uma defesa de mudanças profundas — e explosivas — na política de defesa, na segurança pública e na relação do Executivo com o Judiciário. Para o candidato do Missão, são respostas à fragilidade do Estado; para seus críticos, propostas que ultrapassam limites constitucionais.
Na política externa, Renan apresentou a bomba atômica como instrumento de dissuasão, não de ataque. “Se quisermos ser uma nação séria e respeitada, nos próximos 30 anos, nós precisamos ter armas nucleares”, afirmou, argumentando que o arsenal protegeria as riquezas brasileiras e elevaria o peso geopolítico do país.
O projeto, porém, exigiria uma ruptura jurídica e diplomática. A Constituição restringe as atividades nucleares a fins pacíficos, enquanto o Brasil integra o Tratado de Não Proliferação e o Tratado de Tlatelolco, que mantém a América Latina e o Caribe livres de armas nucleares. Renan reconheceu que o país não teria capacidade de produzir o armamento na próxima década, mas defendeu iniciar a discussão e, no momento adequado, abandonar o tratado.
Na segurança, a mesma lógica de fortalecimento estatal ganhou contornos imediatos. “Vai ter um regime de exceção em favelas para retomar”, declarou o candidato, prometendo recuperar em um ano áreas controladas por facções. Ele também disse que “decisão ilegal não se cumpre”, embora tenha afirmado que consultaria a Advocacia-Geral da União e recorreria ao próprio STF antes de contrariar uma ordem.
Renan cita El Salvador como referência parcial. Enquanto ele atribui ao governo de Nayib Bukele resultados contra o crime, reportagens destacam denúncias de tortura e desaparecimentos; segundo dado da Anistia Internacional citado por uma delas, ao menos 470 pessoas morreram sob custódia durante o estado de exceção salvadorenho.
Na economia, o candidato adotou tom igualmente duro, defendendo cortes e uma nova reforma previdenciária. “Vai quebrar em três anos, você não tem aposentadoria”, disse. Nas redes, a proposta nuclear também virou alvo de ironia: Rodrigo Constantino reagiu com “Meu nome é Renan!”, acompanhado de emojis de riso.
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