Milei limita o Banco Central, mas batalha decisiva será no Senado

A Câmara argentina aprovou a guinada monetária defendida pelo governo, retirando do Banco Central funções ligadas a emprego e desenvolvimento. Sem maioria no Senado, Milei ainda precisa vencer a etapa mais incerta.
Milei limita o Banco Central, mas batalha decisiva será no Senado

Milei limita o Banco Central, mas batalha decisiva será no Senado
A reforma do Banco Central argentino avançou na Câmara como uma vitória de Javier Milei, mas expôs uma disputa maior: de um lado, a promessa de bloquear a emissão usada para financiar o Estado; do outro, o encolhimento deliberado das funções econômicas da instituição.

Na leitura pró-governo, a mudança é uma peça central da ofensiva contra a inflação. O projeto foi aprovado por 144 deputados e proíbe o Banco Central de financiar o Tesouro por meio da emissão de moeda. Milei classificou a votação como “um passo fundamental para erradicar a inflação da vida dos argentinos de bem”.

A proposta redefine como missão “primária e fundamental” do banco a preservação do valor da moeda. Também elimina objetivos incorporados durante os governos de Cristina Kirchner, como promover emprego, desenvolvimento econômico e equidade, além de retirar da instituição a autoridade para direcionar crédito a setores específicos.

Já o relato da oposição enfatiza o alcance institucional da reforma. Além de impedir empréstimos e adiantamentos ao governo federal e às administrações locais, o texto barra a compra direta de dívida pública no mercado primário. Também determina que a demissão do presidente do Banco Central dependa do apoio de dois terços das duas casas do Congresso.

Santiago Pauli, governista e presidente da Comissão de Finanças da Câmara, resumiu a justificativa: “Queremos blindar o Banco Central da política do momento”. Segundo ele, governos recorriam à instituição quando faltavam recursos, alimentando a inflação.

Os dois relatos concordam sobre os 144 votos favoráveis e as nove abstenções, mas divergem no número de votos contrários: 109 em um, 102 no outro. A convergência mais importante, porém, está no próximo obstáculo: o projeto segue ao Senado, onde Milei não dispõe de maioria.

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