Pró-governo diz que acordo da Meta é avanço bilionário, mas proteção a adolescentes ainda fica aquém
Pró-governo diz que acordo da Meta é avanço bilionário, mas proteção a adolescentes ainda fica aquém
O acordo bilionário da Meta promete redes sociais menos nocivas para adolescentes, mas está longe de encerrar a disputa sobre quem deve garantir essa segurança. De um lado, governos e a ONU enxergam um precedente; do outro, críticos dizem que limitar o tempo de exposição não elimina os riscos do produto.
Firmado após acusações de que Facebook e Instagram foram projetados para reter jovens e coletaram ilegalmente dados de menores de 13 anos, o acerto pode custar à Meta cerca de US$ 18 bilhões. A ONU aprovou a direção das mudanças, mas cobrou uma resposta mais ampla: “As crianças não deveriam ter que esperar que um processo seja aberto para estarem seguras na internet”, afirmou o alto comissário Volker Türk.
Na prática, a Meta deverá estabelecer um limite padrão de duas horas diárias, bloquear o uso entre meia-noite e 6h, suspender notificações no horário escolar e reforçar a verificação de idade. O cronograma também prevê um feed não personalizado e controles parentais mais amplos. A empresa nega irregularidades e sustenta que já trabalha para proteger crianças e adolescentes.
Para Arturo Béjar, ex-engenheiro de segurança do Facebook, o acordo ataca a duração do uso, mas não o desenho potencialmente nocivo das plataformas. “Você pode fumar quantos cigarros conseguir em duas horas por dia. Isso não torna os cigarros mais seguros”, comparou. Ele também critica a ausência de fiscalização independente e de metas mensuráveis para redução de danos.
A Meta rebate que o pacote vai muito além do relógio: inclui restrições à rolagem infinita, recursos de supervisão familiar e desativação inicial de filtros de beleza, curtidas e outras ferramentas de comparação social. Seu porta-voz afirmou que Béjar ignora tanto as proteções existentes quanto “o enorme valor que os adolescentes tiram das redes sociais”.
A convergência está no diagnóstico de que jovens precisam de salvaguardas. A ruptura aparece na solução: enquanto a Meta apresenta o acordo como reforma abrangente, ONU e críticos defendem padrões para toda a indústria, supervisão efetiva e medidas capazes de demonstrar redução real dos danos.
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