Pró-governo diz que avalanche no Himalaia deixa centenas de mortos e expõe corrida contra uma nova inundação
Pró-governo diz que avalanche no Himalaia deixa centenas de mortos e expõe corrida contra uma nova inundação
Uma onda de gelo, água e lama devastou vales na fronteira entre Nepal e Tibete, deixando centenas de mortos e mais de 1.300 desaparecidos. Agora, as buscas enfrentam estradas destruídas, áreas isoladas e a ameaça de uma segunda inundação.
Os balanços diferem conforme o horário e a origem das informações. Uma apuração aponta 335 mortes — 332 no Nepal e três no território chinês — e destaca que os dados são divulgados separadamente por autoridades e veículos dos dois lados da fronteira. Entre os 823 desaparecidos no Nepal estariam 517 turistas estrangeiros; no Tibete, a imprensa estatal contabilizou outros 558, incluindo 260 estrangeiros. Um morador, Raju Bhadel, relatou o drama de sua família: “Três integrantes da família foram resgatados, mas o irmão dele continua desaparecido”.
Outro levantamento, baseado em atualização anterior da polícia nepalesa, registrou 270 mortes no Nepal e três no Tibete. Apesar da diferença numérica, os relatos convergem sobre a causa provável: o colapso de uma geleira a cerca de 5.200 metros de altitude teria represado um rio antes de liberar uma corrente devastadora. Essa versão também dimensiona o dano estrutural: nove usinas hidrelétricas e 19 pontes foram destruídas, enquanto helicópteros retiravam sobreviventes e entregavam ajuda.
Se os números ainda oscilam, a urgência é inequívoca. Socorristas avançam pela lama enquanto moradores deixam áreas ribeirinhas. David Fisher, da Federação Internacional da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho, resumiu o impacto: “Povoados inteiros e áreas de comércio foram destruídos”. O alerta mais grave vem de especialistas: um bloqueio na parte alta do rio entre Nepal e China pode desencadear uma segunda inundação.
Pequim ordenou a mobilização de equipes, e o Exército nepalês mantém sobrevoos. Cientistas observam, ainda, que as mudanças climáticas vêm ampliando a frequência e a intensidade de eventos extremos no sul da Ásia — contexto que transforma o resgate atual em advertência para toda a região.
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