Milei vence na Câmara, mas reforma do Banco Central encara teste decisivo

O projeto restringe a emissão monetária e concentra o Banco Central no combate à inflação. A aprovação expôs divergências sobre o papel da instituição, e o governo ainda terá de superar um Senado sem maioria.
Milei vence na Câmara, mas reforma do Banco Central encara teste decisivo

Milei vence na Câmara, mas reforma do Banco Central encara teste decisivo
Javier Milei conquistou uma vitória importante na Câmara argentina, mas a batalha para redesenhar o Banco Central está longe do fim. A reforma avança ao Senado dividida entre a promessa de conter a inflação e o temor de estreitar o papel econômico da instituição.

Os relatos convergem no essencial: foram 144 votos favoráveis e nove abstenções. Divergem, porém, sobre os votos contrários — uma fonte registra 102, enquanto outra aponta 109. Ambas destacam que o texto proíbe empréstimos e adiantamentos do Banco Central ao Tesouro e a governos locais, além da compra direta de dívida pública no mercado primário.

Para os defensores, essas barreiras impediriam que futuras administrações recorressem à emissão monetária para financiar despesas. Santiago Pauli, presidente da Comissão de Finanças da Câmara e integrante do partido governista A Liberdade Avança, resumiu a lógica: “Queremos blindar o Banco Central da política do momento”. Segundo ele, quando o Estado ficava sem recursos, recorria à instituição, produzindo inflação.

Milei celebrou a votação como “um passo fundamental para erradicar a inflação da vida dos argentinos de bem”. O enquadramento governista associa a reforma à desaceleração dos preços: a inflação acumulada em 12 meses teria recuado para 33,8% em julho, depois de estar na casa dos três dígitos quando o presidente assumiu, em 2023.

O contraponto está no que o Banco Central deixará de fazer. A proposta elimina atribuições como promover emprego, desenvolvimento econômico com equidade social e direcionar crédito a setores específicos, concentrando sua missão na preservação do valor da moeda. Também torna mais difícil afastar o presidente da instituição, exigindo dois terços dos votos nas duas casas do Congresso.

Para o governo, é independência monetária; para os críticos, uma redução do alcance econômico do banco. A decisão caberá agora ao Senado, onde Milei não dispõe de maioria.

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