Caso “Dark Horse” chega a Mendonça com disputa sobre quem deve investigar

A defesa de Karina Gama quer suspender o inquérito paulista e centralizar o caso no STF. A disputa opõe a alegada conexão com o Banco Master à apuração sobre um contrato municipal de R$ 108 milhões.
Caso “Dark Horse” chega a Mendonça com disputa sobre quem deve investigar

Caso “Dark Horse” chega a Mendonça com disputa sobre quem deve investigar
A investigação sobre o financiamento de “Dark Horse” abriu uma disputa de competência: enquanto a Polícia Civil paulista apura o possível caminho de recursos municipais, a defesa da produtora sustenta que o caso já pertence ao Supremo Tribunal Federal.

Karina Ferreira da Gama, ligada à Go Up Entertainment e ao Instituto Conhecer Brasil (ICB), pediu ao ministro André Mendonça a suspensão imediata do inquérito em São Paulo e sua transferência ao STF. Para os advogados, a investigação deixou de se limitar ao contrato municipal e passou a mirar os aportes feitos pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, à produção sobre Jair Bolsonaro.

“A investigação de primeiro grau tem como verdadeiro objeto: a aplicação de recursos financeiros por parte do banqueiro Daniel Vorcaro no financiamento do filme Dark Horse”, afirma a defesa, acrescentando que o tema atrairia a “competência absoluta” do Supremo. Em outra formulação, os advogados dizem que a continuidade do procedimento paulista representa “desrespeito à competência” da Corte e alertam para a possibilidade de apresentação de denúncia.

As diferentes coberturas convergem sobre o pedido processual, mas divergem na ênfase. Uma leitura destaca a sobreposição entre as apurações de São Paulo e os inquéritos relatados por Mendonça. Outra ressalta a origem da investigação: suspeitas de fraude e desvio em um contrato de aproximadamente R$ 108 milhões da Prefeitura de São Paulo para a instalação e manutenção de pontos públicos de wi-fi.

A Polícia Civil investiga se parte desses recursos chegou à Go Up durante a produção do longa. Segundo a defesa, o próprio delegado apontou a necessidade de identificar a “origem do financiamento privado” e mencionou “consistentes suspeitas de confusão patrimonial”. Karina e a Prefeitura de São Paulo negam irregularidades.

O pedido tenta, assim, transformar uma possível interseção financeira em questão de jurisdição. A defesa quer centralização no STF; a apuração estadual, até aqui, preserva o foco em possíveis crimes ligados à contratação pública e ao uso irregular de verbas. Caberá a Mendonça decidir se há coincidência suficiente entre os fatos para interromper o inquérito paulista.

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