Pró-governo diz que Lula vai salvar os Correios sem privatização
Pró-governo diz que Lula vai salvar os Correios sem privatização
Lula fechou a porta para a privatização dos Correios, mas não para mudanças profundas. Diante de prejuízos bilionários e da concorrência crescente no setor de entregas, o presidente aposta em cortes, parcerias e uma nova gestão para preservar a estatal.
De um lado, Lula sustenta que a presença dos Correios em todos os municípios torna a empresa estratégica. “Desde 1985 os Correios vivem crises e querem privatizar. É uma empresa muito importante para o Brasil”, afirmou à TV Globo. De outro, admite que a companhia perdeu terreno por não acompanhar a transformação do mercado.
“Os Correios não se adaptaram aos novos tempos, surgiu muita empresa de fazer entrega e os Correios ficaram na mesmice”, disse. O diagnóstico aproxima o governo dos críticos que cobram eficiência; a diferença está na solução. Em vez da venda da estatal, Lula defende uma reestruturação capaz de fazê-la voltar a gerar lucro.
A estratégia poderá incluir enxugamento da estrutura e acordos com companhias nacionais ou estrangeiras. “A gente quer Correios prestando serviço e lucrativa”, resumiu o presidente.
O desafio é pesado. Embora oficialmente não dependa do Orçamento da União para funcionar, a empresa acumula prejuízos superiores a R$ 10 bilhões desde 2022. Sob o comando do economista Emmanoel Schmidt Rondon, indicado por Lula, os Correios apresentaram um plano para recuperar liquidez no curto prazo e preparar um novo modelo de negócios a partir de 2027.
A posição presidencial, portanto, combina duas mensagens: rejeita a privatização, mas reconhece que manter a empresa como está não é opção. O teste será provar que a reforma prometida consegue conciliar alcance nacional, eficiência e sustentabilidade financeira.
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