Pró-governo diz que operação contra dona da Betnacional expõe suspeitas bilionárias

Receita e MPF investigam o grupo NSX por supostos crimes financeiros e estimam recuperar R$ 300 milhões. A empresa afirma seguir as regras, promete colaborar e aguarda acesso aos autos.
Pró-governo diz que operação contra dona da Betnacional expõe suspeitas bilionárias

Pró-governo diz que operação contra dona da Betnacional expõe suspeitas bilionárias
Uma das maiores empresas de apostas do país está entre a pressão das autoridades e a promessa de transparência feita ao mercado. De um lado, investigadores descrevem uma estrutura internacional montada para esconder receitas; do outro, a NSX Brasil sustenta que opera dentro das regras e ainda desconhece os autos.

A Operação Jogo de Sombras, conduzida pelo Ministério Público Federal e pela Receita Federal, cumpriu seis mandados de busca e apreensão em João Pessoa, Recife e São Paulo. O grupo responsável pela Betnacional teria movimentado mais de R$ 5 bilhões em 2025. A apuração envolve suspeitas de sonegação fiscal, evasão de divisas e lavagem de dinheiro, além do possível uso de uma empresa de fachada em Curaçao, contas concentradoras e despesas fictícias. Não houve mandados de prisão. A Receita abriu ainda 11 procedimentos fiscais e estima recuperar cerca de R$ 300 milhões.

Para o Fisco, o desenho não seria apenas uma herança do período anterior à regulamentação. O secretário da Receita, Robinson Barreirinhas, afirmou que a empresa “explorou ilegalmente jogos no Brasil” e disse haver “indícios fortes de continuidade de ilicitudes” mesmo após a entrada das novas regras. A Justiça determinou o bloqueio de R$ 191 milhões, enquanto a Secretaria de Prêmios e Apostas informou que a Betnacional continua funcionando por enquanto, embora enfrente dois processos sancionadores.

A versão da companhia contrasta com a acusação. A NSX confirmou a diligência em seu escritório no Recife, mas declarou que seus advogados ainda não tiveram acesso à investigação. O grupo prometeu “colaborar integralmente” e afirma manter governança, controles internos e compliance alinhados à Flutter Entertainment, sua controladora listada em Nova York.

Antes da regulamentação, a Betnacional reconhecia recolher apenas IOF sobre remessas entre Brasil e Curaçao. Seus dirigentes argumentavam que a sede caribenha era necessária para obter licenças e que a condição de paraíso fiscal não tornava a operação ilegal. Agora, o ponto central do confronto é justamente esse: saber se a estrutura externa atendia a exigências comerciais ou servia para ocultar uma operação efetivamente brasileira.

https://resumosbrasil.com/stories/01a048e0-c15e-3411-72f1-335e338d7757

Write a comment