Trump promete enfrentar frigoríficos, mas preço da carne pode não ceder

A Casa Branca quer ampliar o processamento direto por pecuaristas e reduzir o poder de quatro gigantes. A concentração preocupa, mas rebanho menor, importações restritas e demanda aquecida também sustentam os preços.
Trump promete enfrentar frigoríficos, mas preço da carne pode não ceder

Trump promete enfrentar frigoríficos, mas preço da carne pode não ceder
Donald Trump escolheu um alvo poderoso para responder à disparada da carne: os maiores frigoríficos dos Estados Unidos. A ofensiva promete mais autonomia aos pecuaristas, mas não resolve sozinha a escassez que pressiona o bolso dos consumidores.

Uma leitura do anúncio enfatiza o confronto. Trump acusou Tyson Foods, JBS, Cargill e National Beef de formar um “poderoso monopólio” que torna “miserável” a vida de produtores americanos. O presidente autorizou a preparação de medidas legais para permitir que pecuaristas processem os próprios alimentos, enquanto o Departamento de Justiça conduz uma investigação antitruste sobre o setor.

Outra abordagem destaca tanto a concentração quanto os limites da resposta. As quatro companhias controlariam cerca de 85% do processamento de carne no país, segundo a Reuters. A secretária de Agricultura, Brooke Rollins, antecipou “grandes anúncios”, incluindo apoio a pequenos processadores, vendas entre estados e o cancelamento de “orientações desatualizadas”.

As duas perspectivas convergem no diagnóstico político: produtores têm pouco poder de negociação diante dos frigoríficos, e Trump busca apresentar uma reação rápida antes das eleições legislativas de novembro. Divergem, porém, no peso atribuído à desregulamentação. Enquanto a ofensiva é vendida como forma de romper a dependência dos pecuaristas, os dados sugerem que a crise vai além das grandes empresas.

A libra de carne moída chegou a US$ 6,82 em junho, alta de 79% sobre o início de 2019. O rebanho americano está no menor nível em 75 anos, a demanda segue aquecida e as restrições às importações de gado mexicano apertaram ainda mais a oferta. Assim, abrir espaço para processadores menores pode aumentar a concorrência — mas dificilmente produzirá carne barata de imediato.

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