Propina de 70% expõe suposto esquema dentro da Polícia Civil de SP

A Operação Merx investiga policiais suspeitos de usar delegacias e recursos públicos para extorquir responsáveis por cargas ilegais. Sete pessoas tiveram a prisão decretada, e a Justiça bloqueou até R$ 4 milhões em bens.
Propina de 70% expõe suposto esquema dentro da Polícia Civil de SP

Propina de 70% expõe suposto esquema dentro da Polícia Civil de SP
A Operação Merx colocou a própria estrutura policial no centro de uma investigação sobre corrupção em São Paulo. De um lado, surgem indícios de delegacias usadas para sustentar o esquema; de outro, o governo destaca a atuação da Corregedoria para identificar e punir os suspeitos.

Deflagrada pelo Ministério Público paulista e pela Corregedoria da Polícia Civil, a operação apura a cobrança de propina para liberar cargas ilegais, sobretudo eletrônicos contrabandeados. Quatro policiais civis, um advogado e duas pessoas apontadas como pagadoras das vantagens tiveram a prisão preventiva decretada — três agentes haviam sido presos até a divulgação inicial, enquanto um quarto era procurado.

Segundo a investigação, os policiais exigiam até 70% do valor das mercadorias e teriam obtido cerca de R$ 2,35 milhões desde 2024. A apuração também indica que dependências policiais eram usadas para armazenar produtos e simular apreensões parciais; o advogado atuaria como intermediário e teria apelidado os valores informados às autoridades de “caixinha da alegria”. O governador Tarcísio de Freitas afirmou que “não vamos tolerar desvios” e prometeu punição administrativa e criminal aos agentes envolvidos.

Em contraste com o foco sobre o possível uso da máquina pública, outro relato enfatiza a dimensão judicial da ofensiva: foram expedidos 18 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Paraná e Goiás, além do sequestro de até R$ 4 milhões em bens. Um investigador também foi afastado e proibido de falar com investigados e testemunhas. Os nomes dos policiais não haviam sido divulgados, e suas defesas ainda não tinham sido localizadas.

A Secretaria da Segurança Pública, por sua vez, ressaltou a resposta institucional. Após os mandados, a Corregedoria realizou “correições extraordinárias” nas unidades atingidas — fiscalizações motivadas por denúncias de irregularidades. As diferentes abordagens convergem no ponto central: a suspeita não se limita a desvios individuais, mas alcança o possível uso de instalações e atribuições policiais para alimentar o esquema.

https://resumosbrasil.com/stories/01a04a2a-6cc4-2304-7154-140f7f6a3372

Write a comment