Braskem ganha fôlego na Justiça, mas ainda precisa convencer credores

A petroquímica terá 120 dias de proteção contra cobranças e 90 dias para ampliar o apoio ao plano. O alívio imediato contrasta com dívidas bilionárias, crédito pressionado e os custos do desastre em Maceió.
Braskem ganha fôlego na Justiça, mas ainda precisa convencer credores

Braskem ganha fôlego na Justiça, mas ainda precisa convencer credores
A Braskem conquistou uma trégua judicial, não uma saída definitiva. Protegida temporariamente de cobranças, a petroquímica agora corre contra o relógio para obter apoio suficiente dos credores e transformar seu plano de reestruturação em solução concreta.

A decisão da 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo suspende por 120 dias execuções, pedidos de falência e medidas de retenção de bens contra a companhia e determinadas subsidiárias. A Braskem terá 90 dias para comprovar a adesão exigida para a homologação do plano, que busca criar um ambiente “adequado para a negociação e implementação da reestruturação” de cerca de US$ 10,9 bilhões em obrigações financeiras sem garantia.

Sob a ótica mais favorável à empresa, a proteção judicial oferece estabilidade para negociar em meio ao aperto global das margens petroquímicas. A queda dos preços, o encarecimento das matérias-primas e a retração da geração de caixa elevaram a dívida líquida ajustada para aproximadamente US$ 9,43 bilhões. A entrada da IG4 no controle e a ampliação do crédito fornecido pela Petrobras aparecem como possíveis pontos de sustentação.

A leitura crítica, porém, destaca o tamanho e a complexidade do passivo. O pedido envolve mais de R$ 56,5 bilhões em endividamento, enquanto obrigações entre integrantes do grupo levariam o total contábil a R$ 187 bilhões — números de escopos diferentes dos US$ 10,9 bilhões sujeitos à reestruturação. Santander, Citibank, Barclays e Grupo Ad Hoc já apoiam R$ 22,4 bilhões, mas a Braskem ainda precisa obter concordância sobre outros R$ 5,85 bilhões em créditos para alcançar o patamar necessário à homologação.

As duas perspectivas convergem em um ponto: o prazo judicial compra tempo, mas não apaga os riscos. Além da dívida e do crédito mais caro, permanecem os custos ligados ao afundamento do solo em Maceió. Assim, o processo protege o caixa no curto prazo; o teste decisivo será repartir perdas, preservar operações e manter recursos para reparações.

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