Trump promete quebrar domínio dos frigoríficos, mas plano acende novo impasse
Trump promete quebrar domínio dos frigoríficos, mas plano acende novo impasse
Donald Trump abriu uma nova frente contra a carne cara nos Estados Unidos: quer reduzir o poder dos grandes frigoríficos e permitir que pecuaristas processem a própria produção. A promessa agrada a produtores menores, mas deixa em aberto como flexibilizar regras sem comprometer a inspeção sanitária.
Para a Casa Branca, o problema central é a concentração. Trump chamou Tyson Foods, JBS, Cargill e National Beef de “um poderoso monopólio” que torna a vida de agricultores e pecuaristas americanos “miserável”. O Departamento de Justiça já conduz uma investigação antitruste sobre o setor, enquanto o presidente tenta preservar apoio nas comunidades rurais antes das eleições de meio de mandato.
O argumento econômico é direto: as quatro companhias controlariam cerca de 85% do processamento de carne bovina, podendo pressionar simultaneamente o preço pago pelo gado e o valor cobrado nos supermercados. A escalada, porém, também reflete oferta menor: o rebanho americano caiu ao nível mais baixo em 75 anos, e a carne moída chegou a US$ 6,82 por libra em junho, 79% acima do início de 2019. A MBRF, controladora da National Beef, afirma atuar em conformidade com as leis concorrenciais e destaca que aproximadamente 700 produtores locais possuem cerca de 18% da empresa.
É aí que as perspectivas se separam. O governo promete menos burocracia, financiamento a pequenos processadores e mais vendas diretas entre estados. O Meat Institute adverte que liberar carne sem inspeção pode ameaçar a segurança alimentar. Já a associação de pecuaristas apoia a abertura do mercado, mas defende a manutenção dos padrões de fiscalização.
Há ainda uma contradição política: ao mesmo tempo que promete proteger produtores, Trump ampliou temporariamente em 300 mil toneladas a cota de carne importada com tarifa reduzida para baixar preços ao consumidor. Assim, a ofensiva tenta equilibrar três interesses difíceis de conciliar — supermercados mais baratos, renda dos pecuaristas e segurança sanitária — enquanto coloca empresas com vínculos brasileiros no centro da disputa.
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