Flávio aposta em Lottenberg, mas passado crítico do médico expõe tensão
Flávio aposta em Lottenberg, mas passado crítico do médico expõe tensão
Flávio Bolsonaro tentou dar peso técnico à campanha ao antecipar seu escolhido para a Saúde. Mas o anúncio de Claudio Lottenberg também expôs uma contradição: o médico já criticou duramente a condução da pandemia pelo governo de Jair Bolsonaro.
Durante uma sabatina na TV Globo, o candidato do PL afirmou que o convite foi feito e aceito. “Claudio Lottenberg, que vai ser o meu ministro da Saúde”, declarou Flávio, apresentando o primeiro nome confirmado para a equipe de um eventual governo.
Na perspectiva governista, a escolha reforça a promessa de modernizar o SUS com experiência administrativa privada. Flávio disse que transformará a saúde pública “numa saúde de qualidade” e defendeu um governo mais enxuto, com corte de ministérios e cargos comissionados. Essa agenda econômica também ganhou apoio nas redes: Rodrigo Constantino destacou a promessa de não economizar “em cima de salário mínimo, de aposentado”, priorizando o combate à corrupção e a redução de impostos.
O contraponto está no histórico do indicado. Em 2021, Lottenberg responsabilizou o governo federal pela falta de uma orientação nacional durante a Covid-19: “Se houve um ente que não criou um clima inspiracional, foi o governo federal.” Ele também defendeu máscaras, isolamento social e vacinação, medidas frequentemente contestadas pelo então presidente.
Ainda assim, Lottenberg nunca esteve completamente distante daquele campo político. Seu nome chegou a ser cogitado para substituir Luiz Henrique Mandetta em 2020. Médico formado pela Unifesp, ele presidiu o Hospital Israelita Albert Einstein, comandou a Saúde municipal de São Paulo por alguns meses e acumula experiência em gestão hospitalar.
A reação entre apoiadores tampouco foi uniforme. Constantino, que repercutiu favoravelmente a mensagem econômica, recebeu o anúncio com ironia: “Era essa a grande surpresa?!” A escolha pode sinalizar moderação e competência técnica — ou abrir um desconforto com a herança sanitária do bolsonarismo.
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