Pró-governo diz que Nepal dispensa resgate amplo, mas pede ajuda técnica após 626 mortes
Pró-governo diz que Nepal dispensa resgate amplo, mas pede ajuda técnica após 626 mortes
O Nepal tenta equilibrar autonomia e urgência diante de uma catástrofe que devastou comunidades, isolou regiões e sobrecarregou hospitais. O governo sustenta que consegue liderar os resgates, mas admite depender do exterior para tarefas especializadas e para a reconstrução.
Uma atualização elevou para 626 o número de mortos nas enchentes que atingiram o Nepal e o Tibete. Avaliações preliminares indicam que o colapso de uma geleira pode ter bloqueado temporariamente um rio, desencadeando uma enxurrada de gelo, rochas, lama e detritos.
A posição oficial tem uma divisão clara: equipes estrangeiras não seriam necessárias nas operações gerais de busca e salvamento, já conduzidas por socorristas nepaleses; técnicos internacionais, porém, são considerados essenciais onde falta experiência local. “Já fizemos pedidos por serviços especializados e assistência técnica em áreas onde não temos expertise e conhecimento técnico suficientes”, afirmou o ministro das Relações Exteriores, Shisir Khanal.
Entre as prioridades estão retirar possíveis sobreviventes de túneis de usinas hidrelétricas, restabelecer estradas e comunicações, realizar testes de DNA e ampliar o armazenamento de corpos. É uma diferença entre comando doméstico e cooperação direcionada — não uma recusa completa de auxílio externo.
O mau tempo, contudo, expõe os limites dessa estratégia. Chuva e neblina interromperam temporariamente as buscas, enquanto quase 3 mil pessoas permaneciam desaparecidas segundo um dos levantamentos divulgados. Ao mesmo tempo, danos a pontes, hospitais e projetos hidrelétricos ampliam o impacto econômico.
O ministro das Finanças, Swarnim Wagle, calculou que a recuperação poderá exigir de US$ 4 bilhões a US$ 5 bilhões, quase um décimo da economia nepalesa. “Esta é apenas uma estimativa”, ressalvou, enquanto as perdas ainda eram avaliadas. Assim, o governo rejeita uma operação internacional ampla no terreno, mas reconhece que conhecimento técnico e financiamento estrangeiro serão decisivos na etapa mais longa: reconstruir o país.
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