Oposição diz que filtro do X pode desequilibrar a disputa eleitoral

André Mendonça deu 24 horas para o X detalhar um filtro de recomendações após partidos apontarem que 1.559 candidaturas teriam ficado fora do mecanismo. O ministro cobrou dados, mas decidiu ouvir a plataforma antes de ordenar mudanças.
Oposição diz que filtro do X pode desequilibrar a disputa eleitoral

Oposição diz que filtro do X pode desequilibrar a disputa eleitoral
Um filtro criado para reduzir a influência dos algoritmos sobre a campanha virou, ele próprio, motivo de suspeita. De um lado, partidos denunciam tratamento desigual; de outro, o TSE busca dados antes de determinar qualquer correção.

A coligação Brasil Pronto Pra Mais, formada por PT, PCdoB, PV, PDT, PSB, PSOL e Rede, afirma que o mecanismo anunciado pelo X alcança somente 665 contas. Outras 1.559 candidaturas registradas teriam ficado fora da restrição e poderiam continuar aparecendo na aba “Para Você” para usuários que não seguem esses perfis.

Na visão dos partidos, a diferença cria duas pistas na campanha: enquanto algumas contas perdem a amplificação algorítmica, outras preservam a possibilidade de alcançar novos públicos. A coligação sustenta que a “aplicação incompleta do mecanismo produziria tratamento desigual entre candidaturas”.

André Mendonça reconheceu a urgência, mas adotou uma posição mais cautelosa. O ministro do TSE não aceitou imediatamente o pedido para retirar todos os candidatos do sistema de recomendação. Preferiu dar 24 horas ao X para esclarecer se a lista pública corresponde ao filtro efetivamente usado ou se existem mecanismos adicionais de atualização.

Ainda assim, o despacho explicita o risco enxergado pelo tribunal. Segundo Mendonça, uma aplicação seletiva “é potencialmente apta a produzir assimetria relevante na circulação de conteúdos eleitorais”. O ministro acrescentou que uma recomendação indevida pode ampliar progressivamente — e de forma difícil de reverter — o alcance de determinadas candidaturas.

Agora, o contraste central está entre a suspeita dos partidos e a ausência, até aqui, de uma explicação técnica do X. A plataforma deverá informar quantos perfis foram excluídos, quais dados alimentam o filtro e se a lista divulgada é idêntica à utilizada em produção, além de preservar códigos, registros e versões para uma possível auditoria.

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