Lula crava fim da escala 6x1, mas emendas podem frustrar votação-relâmpago
Lula crava fim da escala 6x1, mas emendas podem frustrar votação-relâmpago
Lula transformou o fim da escala 6x1 em promessa para esta semana, apostando na retomada do diálogo com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre. Entre o anúncio político e a aprovação, porém, ainda há uma batalha pelo texto da proposta.
Durante um ato voltado às mulheres em Belo Horizonte, o presidente vinculou a mudança à qualidade de vida de trabalhadores e suas famílias. “Nós vamos aprovar, essa semana, o fim da escala 6x1. Para que as mulheres e os homens tenham mais tempo de cuidar da sua vida própria. Mais tempo para cuidar da sua criança. Mais tempo para passear. E mais tempo para namorar também”, afirmou. A votação está prevista para quarta-feira (2), mas emendas articuladas por Flávio Bolsonaro poderiam alterar o texto e obrigá-lo a retornar à Câmara.
Outro relato enfatiza o avanço institucional: a PEC 221/2019 reduziria gradualmente a jornada máxima de 44 para 40 horas semanais, garantiria dois dias de repouso remunerado e impediria cortes salariais. O relator na Comissão de Constituição e Justiça, Omar Aziz, apresentou parecer favorável e rejeitou 12 emendas, preservando a versão aprovada pelos deputados. Para o Planalto, trata-se também de uma entrega popular às vésperas das eleições. Lula resumiu a aposta: “Nós vamos aprovar, esta semana, o fim da escala 6x1”.
Os relatos convergem sobre a prioridade dada à PEC e sobre o acordo político que destravou sua tramitação. Divergem, contudo, no foco: enquanto um destaca as manobras da oposição capazes de atrasar o desfecho, outro apresenta a medida como vitrine social do governo.
O evento que serviu de palco ao anúncio também expôs contrastes dentro do próprio campo governista. Lula exaltou a participação feminina e a primeira-dama Janja, mas militantes do PT mineiro protestaram contra a distribuição de recursos eleitorais. Em manifesto, afirmaram que “destinar recursos ínfimos e irrisórios configura a mais grave instrumentalização da mulher na política”. Assim, a promessa trabalhista de forte apelo popular dividiu espaço com cobranças internas sobre representação e poder.
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