Oposição diz que expedição brasileira pode revelar segredos do Atlântico profundo
Oposição diz que expedição brasileira pode revelar segredos do Atlântico profundo
Uma equipe brasileira parte para o Atlântico com uma ambição enorme, mas uma promessa deliberadamente modesta: observar, coletar e compreender — mesmo que o resultado seja não encontrar o que esperava.
A expedição internacional “The gap”, liderada por pesquisadores da Universidade do Vale do Itajaí (Univali), navegará durante 42 dias entre Fortaleza e Gana. A missão investigará a Zona de Fratura Romanche, formação surgida há cerca de 100 milhões de anos, durante a separação entre a América do Sul e a África. O grupo reúne 25 cientistas de cinco países e estudará como relevo, correntes e massas de água condicionam a biodiversidade abissal.
De um lado, a missão carrega o fascínio da exploração: o robô SuBastian registrará imagens e recolherá organismos, rochas, sedimentos e água a até 4,5 mil metros. Técnicas de DNA ambiental poderão revelar espécies por vestígios genéticos, enquanto transmissões ao vivo aproximarão o público de um ambiente tão remoto quanto pouco observado.
De outro, os pesquisadores evitam vender a viagem como uma caça a espécies inéditas. O foco é testar evidências indiretas de biodiversidade e explicar por que determinadas comunidades aparecem — ou não — nas encostas e nos vales submarinos. “Na ciência, o dado zero é um ótimo dado”, afirma o coordenador José Angel Perez. Segundo ele, a ausência de vida onde ela era esperada abriria novas perguntas; afinal, “tem que haver uma razão para não ter nada ali”.
As duas abordagens não se chocam: uma enfatiza a dimensão tecnológica e pública da jornada; a outra, a cautela do método. Imagens preliminares poderão surgir durante a travessia, mas a identificação de espécies e as análises genéticas devem levar meses ou anos. No fundo, o maior achado pode ser tanto uma comunidade desconhecida quanto uma ausência capaz de desafiar as hipóteses construídas em terra.
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