Escolha de Lottenberg expõe aposta técnica — e contradição — de Flávio

Flávio Bolsonaro apresenta um gestor experiente para a Saúde, mas a escolha também resgata críticas feitas por Lottenberg ao governo de Jair Bolsonaro durante a pandemia.
Escolha de Lottenberg expõe aposta técnica — e contradição — de Flávio

Escolha de Lottenberg expõe aposta técnica — e contradição — de Flávio
Flávio Bolsonaro tentou dar peso técnico à candidatura ao anunciar antecipadamente seu ministro da Saúde. A escolha de Claudio Lottenberg, porém, combina credenciais celebradas por aliados com um histórico que desafia parte do legado político da família.

Na sabatina da TV Globo, Flávio disse que o oftalmologista, ex-presidente do Hospital Israelita Albert Einstein, está “pronto para dar sua contribuição” e será ministro caso o candidato vença a eleição. Ao prometer que “o SUS vai ser moderno”, o senador apresentou a nomeação como parte de uma agenda de eficiência, embora não tenha detalhado como pretende financiar ou executar a transformação.

Lottenberg confirmou o aceite em tom menos eleitoral. “A saúde de um povo não pertence a um governo nem a um campo político, e sim às pessoas”, afirmou, prometendo um sistema “mais humano, mais eficiente e mais próximo de quem precisa”. Sua experiência inclui mais de 35 anos na saúde, a gestão do Einstein e uma passagem pela Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo.

Para apoiadores, o currículo reforça a imagem de um eventual governo técnico: uma análise classificou a escolha como respeitável e destacou a experiência administrativa do médico. A recepção nas redes, entretanto, não foi uniforme. Rodrigo Constantino reagiu com ironia: “Era essa a grande surpresa?!”

A principal tensão está no passado recente. Durante a pandemia, Lottenberg criticou a falta de coordenação nacional, defendeu distanciamento, máscaras e vacinação e cobrou dos líderes uma postura pública mais clara — posições em contraste com a condução de Jair Bolsonaro.

Assim, o anúncio pode ampliar Flávio para além de sua base, mas também provoca desconforto nela. Enquanto Alexandre Ramagem repercutiu elogios ao desempenho do candidato na entrevista, Enio Viterbo resumiu o ceticismo com uma provocação: “Feliz 2018, marketeiro do Flávio.”

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