Lula chama o PIB à mesa enquanto mercado cobra freio na dívida
Lula chama o PIB à mesa enquanto mercado cobra freio na dívida
Lula quer reduzir a distância em relação ao empresariado justamente quando o mercado amplia a cobrança por disciplina fiscal e a oposição disputa o mesmo público. O jantar planejado para segunda-feira transforma essa reaproximação em um movimento econômico — e inevitavelmente eleitoral.
Entre os convidados estão nomes de peso dos bancos e de grandes empresas, como André Esteves, Roberto Setúbal, Luiz Trabuco, Joesley Batista e José Seripieri Filho. Para aliados do presidente, a reunião permitirá ouvir o que circula no setor privado e recuperar credibilidade, enquanto a campanha tenta impedir que a percepção negativa sobre a economia pressione ainda mais a popularidade de Lula.
O contraste está no discurso fiscal. Empresários e agentes financeiros querem sinais mais firmes de contenção da dívida, que ultrapassou 80% do PIB. Lula, porém, minimiza a preocupação: “A mim não me preocupa a dívida pública”, afirmou, argumentando que o Orçamento deste ano deverá registrar superávit primário de 0,1%.
O encontro também ocorre poucos dias depois de Flávio Bolsonaro receber representantes do mercado financeiro em São Paulo. A campanha petista nega que o jantar seja uma resposta ao senador e sustenta que os convites foram feitos anteriormente. Ainda assim, os dois movimentos revelam a mesma prioridade: conquistar interlocução com quem controla investimentos e influencia expectativas econômicas.
Há, contudo, diferenças de ênfase. Enquanto setores do mercado demonstram preferência por uma agenda mais liberal, Lula propõe combinar responsabilidade fiscal com investimento público, reindustrialização, aumento da renda e redução dos juros. Nessa estratégia, o capital privado é tratado como “peça fundamental” para complementar programas como o Novo PAC e a Nova Indústria Brasil.
Até o local entrou no cálculo político. Embora o Alvorada tenha sido considerado, a equipe passou a avaliar outro endereço para evitar acusações de uso eleitoral de um prédio público. À mesa estarão investimentos e infraestrutura; ao redor dela, porém, estará a corrida pelo apoio do PIB.
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