Nepal enfrenta mais de 700 mortos, milhares de desaparecidos e uma reconstrução bilionária
Nepal enfrenta mais de 700 mortos, milhares de desaparecidos e uma reconstrução bilionária
A catástrofe na fronteira entre Nepal e China avança em duas frentes: a busca urgente por milhares de desaparecidos e a conta bilionária de uma reconstrução que mal começou. Novas ameaças de cheia tornam cada hora ainda mais decisiva.
O balanço mais recente aponta 734 corpos recuperados e mais de 3 mil desaparecidos em territórios nepalês e tibetano. Além da lama densa e das estruturas destruídas, as equipes enfrentam o risco de novas inundações após a elevação do rio Bhotekoshi. “A gente quer recuperar os corpos de familiares, vivos ou mortos, mas não podemos encontrá-los… Podem ver o barro”, disse Kawan Koirala, integrante da equipe nepalesa de resposta a desastres.
Se o retrato imediato é de resgates exaustivos, a dimensão econômica aponta para uma crise prolongada. O ministro das Finanças, Swarnim Wagle, calcula que a reconstrução poderá custar entre US$ 4 bilhões e US$ 5 bilhões, embora ressalve: “Esta é apenas uma estimativa. As perdas e os danos estão sendo avaliados.” O governo busca apoio técnico para retirar pessoas de túneis, restabelecer transportes e comunicações, identificar vítimas por DNA e armazenar corpos.
As diferentes coberturas convergem sobre a escala do desastre, mas destacam ângulos distintos. Uma enfatiza mortos, desaparecidos e o custo nacional; outra expõe a vulnerabilidade do setor hidrelétrico, peça-chave da economia nepalesa. Mais de 900 trabalhadores ligados a projetos de energia estão desaparecidos depois que a enchente atingiu 14 instalações nos rios Bhotekoshi e Trishuli.
Esse contraste ajuda a dimensionar a tragédia: não são apenas usinas avariadas, mas comunidades inteiras e trabalhadores atraídos ao Himalaia pela expansão energética. Em um túnel, cerca de cem pessoas permanecem presas; militares conseguiram inserir um tubo para enviar ar e preparar a escavação. Ao mesmo tempo, projetos responsáveis por mais de 12% da capacidade elétrica nacional foram danificados — transformando a emergência humanitária em um choque econômico de longo alcance.
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