Cury promete virar o Estado do avesso, mas números e viabilidade entram na mira

O candidato aposta em taxar bets, cortar ministérios e digitalizar o governo com inteligência artificial. Checagens e analistas, porém, apontam dados imprecisos, contradições e falta de detalhamento.
Cury promete virar o Estado do avesso, mas números e viabilidade entram na mira

Cury promete virar o Estado do avesso, mas números e viabilidade entram na mira
Augusto Cury apresentou uma reforma ambiciosa do Estado, combinando cortes, novos órgãos e inteligência artificial. O projeto busca transmitir ousadia, mas abriu uma distância incômoda entre a escala das promessas e sua viabilidade.

De um lado, o candidato do Avante defendeu elevar para 52% a tributação das empresas de apostas, ante os 12% mencionados por ele. “Eu taxaria as bets seriamente”, afirmou, calculando que a medida, somada à digitalização do governo e ao controle de despesas, poderia gerar entre R$ 150 bilhões e R$ 200 bilhões. Cury também prometeu revisar 50 mil cargos comissionados, financiar 10 milhões de microempresas e cortar de oito a dez ministérios.

Do outro, o enxugamento viria acompanhado de novas estruturas. Cury propôs um Ministério da Segurança Pública e uma secretaria executiva — ou até um ministério — de Inteligência Artificial e Robótica. “Sim, nós vamos cortar, mas em algumas áreas nós temos que aumentar, e aumentar de maneira urgente”, explicou. Ele ainda defendeu telemedicina no SUS, rejeitou outra reforma da Previdência e sugeriu dividir o BNDES em duas instituições.

A aposta na tecnologia funciona como elo entre quase todas as propostas: modernizar serviços, elevar a produtividade e reduzir gastos. Para os críticos, porém, ela também serviu como resposta genérica quando faltaram detalhes. Colunistas do GLOBO deram média 1, numa escala de 1 a 5, e classificaram o desempenho como “não convincente”. Entre as críticas, apontaram confusão sobre o arcabouço fiscal, dificuldade para explicar o ajuste das contas e ideias consideradas pouco viáveis.

A checagem factual aprofundou esse contraste. O Fato ou Fake concluiu que Cury superestimou em cerca de dez vezes a receita das bets: ele citou até R$ 400 bilhões anuais, enquanto o valor bruto registrado em 2025 foi de R$ 37 bilhões. Também considerou desatualizada a alíquota de 12% e imprecisa a estimativa de R$ 100 bilhões para o impacto de cada ponto da Selic. Em compensação, confirmou os números apresentados sobre feminicídios e produção agrícola.

Cury saiu da entrevista com uma plataforma de alto impacto. O desafio, exposto pela sabatina, é transformá-la em contas, cronogramas e políticas executáveis.

https://resumosbrasil.com/stories/01a051e4-0d7b-3497-7149-1d8c54876d50

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