Pró-governo diz que greve obriga Ponte Preta a escalar a base para evitar W.O.
Pró-governo diz que greve obriga Ponte Preta a escalar a base para evitar W.O.
A Ponte Preta tenta evitar uma derrota fora de campo enquanto sua crise financeira aprofunda o risco de queda dentro dele. Sem os profissionais, o clube apostou nos jovens da base para enfrentar o América-MG pela Série B.
De um lado, os jogadores sustentam que a paralisação foi o último recurso após meses de espera — os atrasos salariais chegam, em alguns casos, a seis meses. Em comunicado, afirmaram ter aguardado “semanas e até meses” antes da medida e relataram um “sentimento de abandono” diante da atuação da diretoria.
Do outro, a Ponte busca simplesmente cumprir a tabela. O clube viajou a Belo Horizonte com 16 atletas formados na base e apenas cinco opções no banco. Jogadores pertencentes a outras equipes, que poderiam reforçar a delegação, preferiram aderir à paralisação em solidariedade aos companheiros. A diferença de posições é clara: enquanto a gestão tenta impedir o W.O., o elenco vê a recusa em jogar como instrumento de pressão por pagamentos.
No meio desse impasse está Gilson Kleina, de volta para sua sexta passagem. O treinador reconheceu a dimensão da missão — “É o meu maior desafio como treinador” — e disse esperar convencer os profissionais a terminar a campanha “de uma forma digna”. Também alertou que uma equipe exclusivamente jovem oferece ganhos, mas cobra um preço: “Só juventude, você ganha de um lado e vai perder de outro.”
A emergência esportiva acompanha o colapso administrativo. Lanterna com 10 pontos em 24 rodadas e sem vencer há 18 partidas, a Ponte ainda enfrenta duas proibições de registrar atletas impostas pela Fifa. Depois do rebaixamento no Campeonato Paulista, o clube caminha para uma nova queda — desta vez recorrendo à base não como projeto, mas como solução de sobrevivência.
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