Mortes aumentam no Himalaia enquanto resgates travam e versões divergem

Balanços apontam entre 683 e 750 mortos, além de mais de 3 mil desaparecidos. Mau tempo, túneis soterrados e danos bilionários ampliam a pressão para que o Nepal aceite apoio externo.
Mortes aumentam no Himalaia enquanto resgates travam e versões divergem

Mortes aumentam no Himalaia enquanto resgates travam e versões divergem
A dimensão da catástrofe no Himalaia ainda desafia uma contagem definitiva. Enquanto os balanços divergem, chuvas fortes, rios em elevação e estradas destruídas reduzem as chances de encontrar sobreviventes na fronteira entre Nepal e China.

Na cobertura ligada à oposição, o desastre deixou 675 mortos no Nepal e 683 quando incluídas as vítimas no Tibete. O relato contabiliza quase 3 mil desaparecidos e estima a reconstrução entre US$ 4 bilhões e US$ 5 bilhões. Também enfatiza que Katmandu buscava apoio técnico — e não ajuda direta nas buscas — para alcançar pessoas presas em túneis, identificar corpos e restabelecer transportes e comunicações. “Todos os povoados próximos ao rio foram arrasados. Não sobrou nada”, disse o sobrevivente Buddhi Ram Dangol.

Já a cobertura pró-governo apresenta um quadro ainda mais grave: 750 corpos recuperados, dos quais 734 no Nepal e 16 no Tibete, além de mais de 3 mil desaparecidos. O foco recai sobre o risco imediato enfrentado pelas equipes e sobre a esperança de que cerca de cem trabalhadores continuem vivos em túneis de usinas hidrelétricas. Em uma dessas estruturas, militares abriram uma passagem para fornecer oxigênio. “As pessoas querem recuperar os corpos de seus parentes, estejam vivos ou mortos, mas não conseguimos encontrá-los”, relatou Kawan Koirala, da proteção civil.

As duas perspectivas convergem sobre o essencial: vilarejos foram soterrados após o colapso de uma geleira, a infraestrutura regional entrou em colapso e a reconstrução custará bilhões. Divergem, porém, nos números — ainda sujeitos a atualização — e na ênfase dada à ajuda externa. Enquanto uma versão delimita a necessidade a recursos técnicos, a outra destaca o pedido de “apoio da comunidade internacional” e os US$ 3,6 milhões prometidos pelos Estados Unidos.

Ao drama humanitário soma-se a disputa sobre suas causas. Cientistas relacionam o colapso ao aquecimento global, enquanto o governo nepalês ressalta que o país emite menos de 0,01% dos gases de efeito estufa, mas permanece entre os mais expostos às consequências climáticas.

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