Correios reduzem perda trimestral, mas rombo de R$ 5,55 bilhões acende o alerta
Correios reduzem perda trimestral, mas rombo de R$ 5,55 bilhões acende o alerta
Os Correios encontraram um raro sinal de melhora dentro de um balanço ainda alarmante: o prejuízo trimestral diminuiu, mas o rombo acumulado avançou. A disputa agora é sobre qual número melhor retrata o futuro da estatal.
Na leitura mais favorável ao plano de recuperação, a perda de R$ 2,4 bilhões no segundo trimestre de 2026 caiu 24,4% ante os três primeiros meses do ano e 5,5% na comparação anual. Houve redução de gastos com pessoal, impulsionada pela saída de 6.545 funcionários por programas de demissão voluntária, enquanto a receita de logística mais que dobrou. Mesmo assim, o prejuízo semestral chegou a R$ 5,55 bilhões, alta nominal de 30,4% sobre 2025. A companhia admite que o resultado “permanece desafiador” e exige “execução consistente das medidas de reestruturação”.
A leitura crítica enfatiza justamente o tamanho da deterioração acumulada — e a crescente dependência de dinheiro garantido pelo poder público. Depois de contratar R$ 12 bilhões com aval da União, os Correios negociam mais R$ 7 bilhões e devem contar com previsão de aporte federal de R$ 6 bilhões em 2027. Lula descartou a privatização, atribuiu a crise à dificuldade de adaptação diante das concorrentes e defendeu um “enxugamento” das contas. “Surgiram muitas empresas de fazer entregas e os Correios ficaram na mesmice”, afirmou.
As duas perspectivas convergem em um ponto: a melhora trimestral ainda não virou recuperação sustentável. A receita líquida de vendas e serviços recuou 3,9% no semestre, passivos judiciais continuam pressionando as despesas e a estatal permanece no vermelho desde 2022. “A melhora operacional observada no primeiro semestre de 2026 ainda não se refletiu integralmente na geração recorrente de caixa”, reconheceram os Correios.
O contraste, portanto, é menos sobre os números do que sobre seu significado: para um lado, os cortes começam a funcionar; para o outro, o avanço é pequeno diante de um déficit bilionário financiado por empréstimos e futuros aportes.
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