Flávio quer destravar Angra — e as licenças ambientais viram o centro da aposta
Flávio quer destravar Angra — e as licenças ambientais viram o centro da aposta
Flávio Bolsonaro escolheu Angra dos Reis para vender uma promessa de desenvolvimento acelerado: menos entraves, mais turismo e novos investimentos. No centro da proposta está uma equação delicada — encurtar processos sem enfraquecer a proteção ambiental.
Durante uma motociata, o candidato à Presidência afirmou que Angra precisa viver cada vez mais do turismo e defendeu “destravar amarras ambientais e burocráticas, sempre respeitando o meio ambiente, mas desenvolvendo”. A formulação tenta aproximar dois objetivos frequentemente em tensão: preservar uma região de alta sensibilidade ecológica e abrir espaço para empreendimentos de grande porte.
Em conversas com jornalistas, Flávio detalhou o lado econômico da proposta. Ele quer acelerar licenciamentos e rever regras urbanísticas, em parceria com prefeitos, para viabilizar resorts, condomínios e projetos turísticos em Angra, Paraty e Mangaratiba. Também defendeu parcerias público-privadas e maior previsibilidade regulatória, com a ambição de transformar a Costa Verde em concorrente de destinos internacionais como Cancún e Indonésia.
As duas abordagens convergem no diagnóstico: a burocracia estaria limitando o potencial turístico regional. A diferença está na ênfase. No discurso público da motociata, Flávio ressalta o respeito ao meio ambiente; na apresentação aos investidores e gestores locais, o foco recai sobre rapidez, segurança jurídica e expansão imobiliária. A campanha também associa esse plano à retomada de Angra 3 com participação privada e à continuidade de obras de infraestrutura.
Nas redes, apoiadores reforçaram outro eixo da mensagem ambiental. Rodrigo Constantino reproduziu a frase de Flávio segundo a qual “a melhor forma de proteger o meio ambiente é fazer saneamento”. A ideia desloca o debate de restrições ao uso do território para infraestrutura básica. Ainda assim, permanece sem resposta detalhada como a prometida aceleração das licenças preservaria os controles ambientais diante da chegada de resorts e grandes condomínios.
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