Himalaia enfrenta corrida contra o tempo após enchentes deixarem mais de 800 mortos

Balanços divergem, mas apontam cerca de 3 mil desaparecidos no Nepal e na China. Enquanto equipes enfrentam túneis bloqueados e risco de novas cheias, famílias procuram respostas e especialistas cobram cooperação além-fronteira.
Himalaia enfrenta corrida contra o tempo após enchentes deixarem mais de 800 mortos

Himalaia enfrenta corrida contra o tempo após enchentes deixarem mais de 800 mortos
A dimensão exata da tragédia ainda oscila entre os balanços oficiais, mas o cenário é inequívoco: centenas de mortos, cerca de 3 mil desaparecidos e equipes de resgate travando uma corrida contra o mau tempo no Himalaia.

Autoridades nepalesas contabilizaram 781 mortes e 2.502 desaparecidos, enquanto a China informou 16 mortos e 546 desaparecidos no Tibete. Pequim atribuiu o desastre aos efeitos das mudanças climáticas, e o chanceler Wang Yi o classificou como o mais grave episódio transfronteiriço dos últimos anos. Para Dharam Raj Uprety, chefe da autoridade de desastres do Nepal, abrir acesso aos túneis inundados é especialmente delicado: “Há muitos escombros e não podemos usar explosivos para abrir caminho”.

Outro balanço elevou o total para 804 mortos — 788 no Nepal e 16 na China — e informou que quase 20 mil agentes de segurança haviam sido mobilizados. Apesar do esforço, o terreno montanhoso, as chuvas e a possibilidade de rompimento de novas barreiras naturais reduzem as chances de encontrar sobreviventes.

Em contraste com a escala da devastação, decisões tomadas em minutos salvaram centenas. O diretor Rajendra Dawadi retirou cerca de 900 estudantes de uma escola após receber alertas sobre a cheia. “Se tivéssemos tomado essa decisão 10 minutos mais tarde, nenhum de nós estaria aqui hoje”, afirmou. Especialistas, porém, fazem uma distinção importante: o aquecimento altera geleiras e encostas, mas atribuir diretamente este desastre às mudanças climáticas exige análise adicional.

A emergência também ganhou um rosto no Hospital Universitário TU, em Katmandu, onde muros foram cobertos por fotografias de desaparecidos. O Nepal, que inicialmente recusou ajuda internacional, passou a solicitar apoio técnico, enquanto Índia, China e Coreia do Sul enviaram equipes. Com corpos em decomposição e poucos reconhecimentos concluídos, a coleta de DNA tornou-se central; segundo a Cruz Vermelha, “houve uma demanda muito alta por sacos para cadáveres”.

Os relatos convergem na urgência, mas enfatizam frentes diferentes: autoridades destacam mobilização e resgates; especialistas cobram monitoramento conjunto entre Nepal e China; e famílias continuam procurando nomes e rostos em meio a uma catástrofe que ainda pode produzir novas cheias.

https://resumosbrasil.com/stories/01a055c0-ca3e-1025-7265-3df55a7655ca

Write a comment