Roman decola para vasculhar o cosmos — e pode acabar reescrevendo a física

Novo telescópio da Nasa combina visão panorâmica e alta velocidade para investigar bilhões de galáxias, procurar exoplanetas e testar se as teorias atuais explicam de fato o universo.
Roman decola para vasculhar o cosmos — e pode acabar reescrevendo a física

Roman decola para vasculhar o cosmos — e pode acabar reescrevendo a física
O Nancy Grace Roman partiu para o espaço com uma ambição que vai muito além de produzir belas imagens: encontrar falhas — ou confirmações — nas teorias que sustentam a compreensão moderna do universo.

Lançado às 8h26, no horário de Brasília, a bordo de um Falcon Heavy da SpaceX, o observatório de aproximadamente US$ 4 bilhões foi apresentado por uma das coberturas como o próximo grande salto da Nasa após Hubble e James Webb. O destaque está na combinação entre visão panorâmica e velocidade: o Roman observará mais de 2 bilhões de galáxias para acompanhar a expansão do universo, estudar a formação de estruturas cósmicas e testar o comportamento da gravidade. Julie McEnery, cientista sênior do projeto, resume a expectativa como uma busca pelo “estranho, o raro e o incomum”.

A outra cobertura enfatiza menos a sucessão dos grandes observatórios e mais a escala da ruptura científica. Com campo de visão 100 vezes maior que o do Hubble, o Roman poderá detectar até metade das estrelas da Via Láctea em apenas um mês — tarefa que levaria cerca de um século ao telescópio lançado em 1990. Também deverá acelerar a descoberta de exoplanetas e registrar objetos próximos a estrelas com a ajuda de um coronógrafo, instrumento que bloqueia o brilho estelar.

As duas perspectivas convergem no essencial: o diferencial do Roman não é enxergar necessariamente mais longe, mas observar áreas muito maiores do céu de uma só vez. A diferença está no tom. Uma ressalta a continuidade e a complementaridade com Hubble e Webb; a outra aponta para a possibilidade de abalar os próprios fundamentos da cosmologia, diante de indícios de que o “modelo padrão” do universo “não estaria totalmente correto”.

O telescópio seguirá agora para o ponto de Lagrange L2, região gravitacionalmente estável entre a Terra e o Sol. Se cumprir o prometido, não apenas ampliará o mapa do cosmos: poderá obrigar a ciência a redesenhá-lo.

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