Flávio aposta em megaprisões, mas modelo Bukele acende alerta

O senador promete endurecer penas e abrir 500 mil vagas prisionais inspirado em El Salvador. Críticos contrapõem o custo, o poder das facções nas cadeias e denúncias de violações de direitos humanos.
Flávio aposta em megaprisões, mas modelo Bukele acende alerta

Flávio aposta em megaprisões, mas modelo Bukele acende alerta
Flávio Bolsonaro quer transformar a experiência de El Salvador em vitrine para sua política de segurança. A promessa é de mais prisões e penas duras; o contraponto é um sistema carcerário brasileiro já superlotado e marcado pela atuação de facções.

Após reunir-se em São Paulo com Gustavo Villatoro, ministro da Justiça e Segurança Pública do governo Nayib Bukele, o senador defendeu a criação de 500 mil vagas prisionais em quatro anos e de cinco presídios de segurança máxima no complexo provisoriamente chamado de “Treva”. “Tem pouco preso no Brasil, tinha que ser mais, só não tem mais porque a legislação é frouxa”, afirmou.

Flávio estima que o plano custaria entre R$ 35 bilhões e R$ 40 bilhões. Para financiá-lo, promete cortes na burocracia e na máquina pública, além de novas receitas. Também propõe acabar com as “saidinhas”, ampliar o tempo de encarceramento e investir em tecnologia para bloquear a comunicação entre presos e integrantes de organizações criminosas.

A leitura crítica começa pelos números: o Brasil já tem cerca de 965 mil pessoas presas e a terceira maior população carcerária do mundo. Especialistas lembram ainda que PCC e Comando Vermelho surgiram dentro de presídios, colocando em dúvida a ideia de que ampliar vagas, sem reformar profundamente o sistema, enfraquecerá as facções.

Há outro contraste. Enquanto Flávio apresenta Bukele como prova de que o domínio territorial de grupos criminosos pode ser quebrado, entidades internacionais apontam prisões arbitrárias e outras violações de direitos humanos em El Salvador. Reportagens citadas pela cobertura também atribuem parte da queda dos homicídios a supostos acordos secretos entre o governo salvadorenho e gangues.

Nas redes, Eduardo Bolsonaro reforçou que o Brasil “vai copiar o exemplo de El Salvador” e disse que a proposta “é para valer”. Em outra publicação, recordou sua própria visita ao país em 2023, descrevendo a política de Bukele como uma “revolução na segurança”. O entusiasmo é inequívoco; a disputa agora é sobre custo, eficácia e limites.

https://resumosbrasil.com/stories/01a0570a-a5b3-02cf-710d-26d8f88f9148

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