Fim da escala 6x1 entra na reta decisiva sob pressão eleitoral
Fim da escala 6x1 entra na reta decisiva sob pressão eleitoral
A proposta para acabar com a escala 6x1 chega à semana decisiva cercada por pressa eleitoral e incerteza parlamentar. O governo quer uma vitória rápida; o rito do Senado, porém, ainda pode frustrar esse plano.
Na perspectiva governista, o momento é de acelerar. Aliados de Lula pressionam para que a PEC seja votada na Comissão de Constituição e Justiça e no plenário no mesmo dia, aproveitando o último esforço concentrado antes das eleições. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, retomou o diálogo com o Planalto, mas, após almoço com Lula e o presidente da Câmara, Hugo Motta, “não garantiu que isso vá acontecer”.
O texto preservado pelo relator Omar Aziz prevê dois dias de descanso remunerado por semana, sem redução salarial. A jornada máxima cairia das atuais 44 para 42 horas dois meses depois da promulgação e, após mais um ano, chegaria a 40 horas.
Do outro lado, a leitura associada à oposição enfatiza menos a corrida política e mais os obstáculos formais. Nessa versão do calendário, a CCJ analisaria a matéria na quarta-feira, e não na segunda. Aziz apresentou parecer favorável, rejeitou as 12 emendas e manteve o texto aprovado pela Câmara para evitar uma nova rodada entre as Casas. Mesmo assim, a PEC ainda dependerá de “dois turnos de votação no Plenário do Senado, com pelo menos 49 votos favoráveis em cada um”.
As duas perspectivas convergem sobre o conteúdo e a possibilidade de avanço, mas divergem no grau de urgência. Para o governo, cada dia conta antes de os parlamentares voltarem às campanhas; para a leitura mais cautelosa, a votação na CCJ será apenas a primeira barreira. A disputa, portanto, não é só sobre reduzir a jornada: é também sobre quem controlará o relógio do Congresso.
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