Camiseta divide versões e transforma agressão na UFRJ em disputa de narrativas

Diego Araújo nega apologia ao nazismo, enquanto outro aluno o acusa de agressão e injúria racial. Vídeos registram o espancamento, mas não encerram a controvérsia investigada pela universidade e pela polícia.
Camiseta divide versões e transforma agressão na UFRJ em disputa de narrativas

Camiseta divide versões e transforma agressão na UFRJ em disputa de narrativas
Uma camiseta de banda, um símbolo historicamente associado à SS nazista e uma agressão coletiva colocaram a UFRJ no centro de uma disputa em que as imagens mostram a violência, mas não esclarecem tudo o que a provocou.

Diego Araújo afirma que foi retirado da sala e espancado por causa de uma interpretação equivocada de sua roupa. Estudante de história e autodeclarado marxista, ele diz ter interesse acadêmico pelo fascismo e rejeita qualquer vínculo com grupos extremistas: “Não sou nazista. Sou um estudioso do tema nazismo, seja no Brasil, seja na Europa”.

A camiseta era da banda britânica Death in June e exibia uma caveira semelhante à Totenkopf, símbolo anterior ao nazismo, mas posteriormente adotado pela SS. Diego também usava um broche com uma suástica riscada. Para ele, a combinação era explicitamente crítica: “Não sou apenas antinazista, estou negando este símbolo e estou com a camisa de uma banda que ridiculariza os símbolos nazistas”.

O histórico da banda, porém, alimenta a controvérsia. Embora seu líder negue apoio ao nazismo, o grupo enfrenta há décadas acusações pelo uso de iconografia fascista; um álbum chegou a ser proibido na Alemanha por incluir trechos de um hino ligado ao partido nazista.

Do outro lado, Deivid Lima, aluno de direito que aparece nas imagens, sustenta que Diego reagiu à abordagem com violência e injúria racial. “Ele me deu uma cotovelada muito rápida, agarrou meu cabelo e disse: ‘macaco, eu vou te matar’”, relatou. Deivid registrou ocorrência e passou por exame pericial; Diego nega tanto as ofensas quanto a agressão.

Os relatos convergem apenas num ponto: houve uma abordagem dentro da universidade e, depois, uma escalada violenta registrada em vídeo. Divergem sobre quem iniciou o confronto, o significado da camiseta e o que foi dito antes das gravações. A UFRJ repudiou simultaneamente a apologia ao nazismo e o uso de agressão física como resposta a provocações ou divergências, abrindo uma sindicância. O caso também está sob investigação policial.

https://resumosbrasil.com/stories/01a0599d-7d32-3d70-72ce-0faef0660a97

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