Brasil e EUA voltam à mesa, mas tarifaço trava qualquer celebração

Washington sinalizou interesse em um acordo, enquanto Brasília exige a revisão das tarifas e protege temas como o Pix. O diálogo avançou, mas ainda não há proposta concreta nem garantia de redução das taxas.
Brasil e EUA voltam à mesa, mas tarifaço trava qualquer celebração

Brasil e EUA voltam à mesa, mas tarifaço trava qualquer celebração
Brasil e Estados Unidos reabriram o canal de negociação, mas continuam separados pelo ponto central da disputa: Washington mantém tarifas de até 37,5%, enquanto Brasília rejeita oferecer concessões sem contrapartida. A reunião destravou o diálogo — não o impasse.

Os relatos ligados tanto à oposição quanto ao governo convergem sobre o movimento político que permitiu a retomada. Após o telefonema entre Lula e Donald Trump, o representante comercial Jamieson Greer informou que o presidente americano havia determinado que sua equipe trabalhasse por um entendimento: “O presidente Trump orientou e ordenou que dialogássemos para um acordo”.

Brasília, porém, chegou à mesa com uma combinação de abertura diplomática e resistência comercial. Em nota, o governo classificou as medidas unilaterais como incompatíveis com as regras multilaterais e disse ser “injusto o tratamento discriminatório adotado contra o Brasil”. Não houve proposta específica, recuo tarifário ou concessão brasileira na conversa.

Dentro do próprio discurso governista, há uma diferença de ênfase. O vice-presidente Geraldo Alckmin defendeu uma pauta ampla — “Não tem tema proibido” — e apostou em uma solução de “ganha-ganha”. Já o ministro Márcio Elias Rosa traçou uma linha vermelha: “O Pix é um patrimônio do Brasil” e seu funcionamento não será negociado. As posições não são necessariamente incompatíveis, mas expõem o desafio de discutir barreiras não tarifárias sem abrir mão de políticas consideradas estratégicas.

A urgência também divide espaço com a cautela. As sobretaxas atingem simultaneamente 3.985 produtos, equivalentes a US$ 10,8 bilhões em exportações brasileiras, segundo a CNI. O temor em Brasília é que elas se tornem permanentes, como ocorreu com barreiras anteriores sobre aço e alumínio.

Elias Rosa disse estar “muito otimista” após a conversa presidencial, por enxergar uma orientação americana favorável a um acordo. Ainda assim, o resultado concreto foi apenas um calendário: novas rodadas técnicas e, depois, ministeriais. O tom melhorou; as tarifas, por enquanto, ficaram intactas.

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