Renúncia de Driscoll expõe choque no Pentágono apesar dos elogios da Casa Branca
Renúncia de Driscoll expõe choque no Pentágono apesar dos elogios da Casa Branca
A saída de Dan Driscoll abriu uma fissura entre a versão celebratória da Casa Branca e os relatos de turbulência no comando militar dos Estados Unidos. Enquanto o governo destaca resultados, diferentes apurações apontam atritos recorrentes com o secretário de Defesa, Pete Hegseth.
Driscoll apresentou sua renúncia após meses de tensão. Publicamente, porém, Washington evitou qualquer sinal de ruptura: a porta-voz Anna Kelly disse que ele foi “altamente eficaz na implementação da agenda do presidente Trump” e afirmou que o Exército está “mais poderoso do que nunca” graças ao trabalho do secretário.
Nos bastidores, o retrato é bem menos harmonioso. Segundo relatos citados pela imprensa, Hegseth desconfiava de integrantes da própria equipe e interpretava a proximidade de Driscoll com a Casa Branca como uma tentativa de contornar sua autoridade. Driscoll teria discutido diretamente com Donald Trump a situação do Exército antes de formalizar a saída.
As duas leituras concordam sobre a relevância de Driscoll, mas divergem sobre o significado de sua renúncia. Para a Casa Branca, ele deixa um legado de prontidão militar, participação em operações e envolvimento nas negociações entre Rússia e Ucrânia. Para os relatos críticos, sua saída evidencia uma disputa de poder no Pentágono e amplia a instabilidade na cúpula das Forças Armadas.
O afastamento anterior do general Randy George, aliado próximo de Driscoll em projetos de modernização tecnológica, já havia provocado críticas de parlamentares republicanos a Hegseth. A desconfiança da liderança militar aumentou diante de uma ampla reformulação no alto comando, incomum sobretudo em um período de conflito aberto.
Sem substituto anunciado para Driscoll e ainda sem sucessor permanente para George, a questão agora ultrapassa as rivalidades pessoais: o Exército pode ficar simultaneamente sem lideranças civil e militar permanentes, justamente quando os Estados Unidos enfrentam pressões externas e disputas internas sobre os rumos do Pentágono.
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