Orçamento promete equilíbrio, mas deixa Bolsa Família congelado

O governo projeta superávit de R$ 18,6 bilhões e salário mínimo de R$ 1.741 em 2027. A busca por credibilidade fiscal, porém, vem acompanhada de benefício social sem reajuste, margem para resultado negativo e socorro aos Correios.
Orçamento promete equilíbrio, mas deixa Bolsa Família congelado

Orçamento promete equilíbrio, mas deixa Bolsa Família congelado
O Orçamento de 2027 chega ao Congresso com uma promessa ambiciosa: elevar o salário mínimo e entregar contas no azul. Por trás da vitrine, porém, estão um Bolsa Família novamente congelado, espaço para flexibilização fiscal e bilhões reservados aos Correios.

Na leitura favorável ao governo, o projeto combina ganho de renda e responsabilidade fiscal. O salário mínimo subiria de R$ 1.621 para R$ 1.741, enquanto receitas líquidas de R$ 2,849 trilhões e despesas de R$ 2,83 trilhões produziriam superávit primário efetivo de R$ 18,6 bilhões. “Uma das nossas mensagens centrais é que, no próximo ano, teremos um Orçamento equilibrado”, afirmou o ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti.

Essa perspectiva também ressalta que o resultado considerado para a meta fiscal alcançaria R$ 83,4 bilhões antes da retirada de precatórios e outras exceções legais. O texto ainda prevê R$ 6 bilhões para os Correios, dentro do financiamento e do plano de reestruturação da estatal — uma reserva orçamentária que não implica transferência integral e imediata.

A leitura crítica mira justamente as ressalvas. Embora a meta oficial seja um superávit de 0,5% do PIB, as deduções permitidas reduzem o saldo efetivo a 0,13%. Com a margem de tolerância do arcabouço fiscal, o governo poderia terminar 2027 com déficit de até R$ 28,5 bilhões sem necessariamente descumprir os limites da meta.

O contraste social é igualmente marcante: o Bolsa Família continuará com piso de R$ 600, sem correção desde o relançamento em 2023, e terá previsão de R$ 157,1 bilhões — abaixo dos valores programados para 2025 e 2026. Moretti reconheceu que o superávit projetado não encerra o desafio: “Há muito a fazer ainda.”

Assim, os dois enquadramentos partem dos mesmos números, mas chegam a ênfases distintas. Para o governo, há equilíbrio com valorização do mínimo; para os críticos, a credibilidade depende de exceções, tolerâncias e contenção de benefícios.

https://resumosbrasil.com/stories/01a05c31-2818-0291-7176-13d0aafba9ff

Write a comment