Pró-governo diz que PIB põe Brasil no top 5 global, mas consumo acende alerta
Pró-governo diz que PIB põe Brasil no top 5 global, mas consumo acende alerta
O PIB brasileiro avançou, mas a fotografia está longe de ser uniforme: o mesmo crescimento de 0,5% que coloca o país em posição de destaque numa comparação internacional também revela uma economia em desaceleração, com as famílias pisando no freio.
Na leitura mais favorável, o resultado superou ligeiramente a mediana de 0,4% esperada pelo mercado e levou a economia a R$ 3,4 trilhões. A agropecuária, com alta de 2,8%, foi o principal motor, enquanto serviços cresceram 0,2% e indústria, apenas 0,1%. “O crescimento da Agropecuária foi o principal destaque do trimestre. Os Serviços e a Indústria também cresceram, mas em ritmo mais moderado”, afirmou Ricardo Montes de Moraes, coordenador de Contas Nacionais do IBGE.
O enquadramento internacional reforça essa visão otimista. Em um levantamento da Austin Rating com dados de 50 países, a expansão trimestral deixou o Brasil na quinta posição global, atrás de Irlanda, Indonésia, Angola e Malásia. Mas o retrato muda conforme a régua: no acumulado de 12 meses, com crescimento de 1,9%, o país aparece em 13º lugar entre as maiores economias analisadas pelo Valor Data.
A diferença não é contradição, mas metodologia: um ranking mede o impulso de abril a junho; o outro, o desempenho ao longo de um ano. Ambos, contudo, convivem com sinais claros de perda de fôlego. O PIB havia crescido 1,1% no primeiro trimestre.
O ponto mais sensível está no bolso. O consumo das famílias, responsável por quase 65% da demanda, caiu 0,4%, mesmo com o mercado de trabalho aquecido. Yihao Lin, da Genial Investimentos, disse que a retração sugere que “os efeitos da política monetária contracionista, do elevado comprometimento de renda e das condições ainda restritivas de crédito começam a se sobrepor”.
Assim, governo e apoiadores podem celebrar crescimento e posição internacional; economistas, porém, enxergam uma expansão estreita, sustentada sobretudo pelo campo e pela extração mineral. O Brasil segue avançando — mas com menos motores ligados.
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