Laudo de Haddad desafia versão oficial, mas imagens não mostram suposta abordagem

A campanha diz que uma viatura permaneceu cerca de 20 minutos perto do motorista; o governo afirma que houve patrulhamento regular. A apuração eleitoral foi arquivada, mas o caso seguiu para análise administrativa.
Laudo de Haddad desafia versão oficial, mas imagens não mostram suposta abordagem

Laudo de Haddad desafia versão oficial, mas imagens não mostram suposta abordagem
Um mesmo percurso, duas narrativas inconciliáveis. A campanha de Fernando Haddad afirma que seu motorista foi acompanhado e intimidado pela Polícia Militar; o governo paulista sustenta que as viaturas apenas cumpriam patrulhamento regular.

A Secretaria de Segurança Pública diz ter examinado imagens de cerca de 40 câmeras e divulgado um vídeo no qual uma viatura passa pelo carro do motorista Alessandro Caseri sem parar. O laudo contratado pela campanha, porém, analisou quatro câmeras próximas ao hotel onde ele estava estacionado e apontou um intervalo de aproximadamente 20 minutos no qual uma viatura teria permanecido em um ponto fora do alcance das imagens. Nenhuma gravação mostra diretamente a abordagem relatada.

Para Haddad, a nova análise derruba o argumento central do governo: “A notícia dada de que a viatura não parou está completamente desmentida”. Seu advogado afirma que três viaturas cruzaram o caminho do motorista e que policiais teriam ordenado que ele deixasse o local. Já a SSP apresenta uma explicação bem diferente: uma equipe estaria retornando à base, enquanto outra fazia patrulhamento de rotina.

A Procuradoria Regional Eleitoral arquivou a investigação contra Tarcísio de Freitas por suposto crime eleitoral, afastando sua responsabilidade nessa esfera. Ainda assim, o parecer não comprou integralmente a tese do acaso: o encontro de duas viaturas táticas com o automóvel em 44 minutos e numa área restrita “fragiliza” a explicação de mera coincidência.

O contraste permanece. O laudo reforça a hipótese de que uma viatura parou perto do motorista, mas não registra visualmente a abordagem; a versão oficial nega perseguição, embora a própria Procuradoria tenha considerado incomum a movimentação policial. Por isso, o caso foi encaminhado ao Ministério Público de São Paulo, que poderá avaliar eventual irregularidade administrativa.

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