Pró-governo diz que pacto do petróleo abre nova era entre Venezuela e EUA

O acordo entrega à Nabep 17 campos por até 100 anos e garante vantagens comerciais a Washington. Governos prometem investimento e segurança energética; críticos apontam riscos jurídicos, políticos e financeiros.
Pró-governo diz que pacto do petróleo abre nova era entre Venezuela e EUA

Pró-governo diz que pacto do petróleo abre nova era entre Venezuela e EUA
A Venezuela abriu uma faixa estratégica de sua indústria petrolífera aos Estados Unidos, mas o pacto vendido como motor de recuperação econômica também desperta acusações de perda de soberania e dúvidas sobre sua viabilidade.

A Assembleia Nacional, dominada pelo partido governista, aprovou o acordo antes da visita a Caracas do secretário de Energia dos EUA, Chris Wright. A Nabep poderá licenciar ou formar sociedades para explorar 17 campos por até 100 anos. Washington terá direito a comprar, pelo custo de produção, 20% do petróleo extraído, preferência sobre os 80% restantes e uma participação de 35% na empresa. A Casa Branca sustenta que “a maioria dos campos de petróleo adicionais a serem operados pela Nabep” esteve anteriormente sob controle ou operação de grupos russos e chineses.

Para os governos envolvidos, o desenho combina capital privado, recuperação da infraestrutura venezuelana e segurança energética norte-americana. Donald Trump afirma que o plano ampliará reservas, atrairá investimentos e ajudará a reduzir o preço dos combustíveis. A estratégia também procura contornar a resistência de grandes petrolíferas, ainda cautelosas após décadas de expropriações e disputas financeiras.

Os críticos enxergam o avesso dessa promessa. Analistas calculam que a reconstrução do setor pode exigir perto de US$ 100 bilhões e levar uma década para acrescentar cerca de 1,5 milhão de barris diários à produção. Há ainda dúvidas constitucionais, risco de revogação por futuros governos e receio de que a preferência concedida aos EUA alimente ressentimento na Venezuela. “Riscos políticos significativos, tanto em Washington quanto em Caracas, limitarão os impactos do plano”, avaliou Bob McNally, da Rapidan Energy Group.

Democratas norte-americanos classificam o pacto como favorecimento a aliados de Trump. Em Caracas, grupos de esquerda denunciam uma “tutela” dos EUA, enquanto figuras da oposição criticam a impressão de que Washington passará a controlar as reservas. Governo e críticos concordam apenas num ponto: o acordo é ambicioso. Divergem sobre quem assumirá os riscos — e quem ficará com os maiores benefícios.

https://resumosbrasil.com/stories/01a05ec4-4a4e-22e6-70c5-01dedc64ec93

Write a comment