Pró-governo diz que esquema nas cantinas de presídios causou rombo de R$ 25 milhões

O MPRJ acusa 22 pessoas de controlar licitações em presídios fluminenses entre 2015 e 2024. A Polícia Penal destaca que ajudou a iniciar a apuração e afirma não tolerar desvios de servidores.
Pró-governo diz que esquema nas cantinas de presídios causou rombo de R$ 25 milhões

Pró-governo diz que esquema nas cantinas de presídios causou rombo de R$ 25 milhões
Uma década de contratos sob suspeita colocou empresários, um policial penal e um ex-subsecretário no centro de uma ofensiva contra fraudes nas cantinas dos presídios do Rio. A acusação aponta domínio quase absoluto das licitações; a Polícia Penal, por sua vez, enfatiza ter colaborado com a investigação.

Na segunda fase da Operação Snack Time, o Ministério Público do Rio de Janeiro denunciou 22 pessoas por organização criminosa e fraude em licitação. A 1ª Vara Criminal Especializada em Organização Criminosa recebeu a denúncia, tornando os acusados réus, e autorizou buscas na capital, em Mesquita e em Duque de Caxias.

Segundo o Gaeco, empresas apresentadas como concorrentes respondiam ao mesmo centro de decisão. O grupo teria combinado previamente a divisão das cantinas e recorrido a agentes públicos para afastar vencedores externos. Em uma disputa de 2019, empresas ligadas ao esquema conquistaram 38 dos 40 lotes disponíveis — 95% do total. “O prejuízo causado pelo esquema aos cofres públicos é superior a R$ 25 milhões”, afirmou o MPRJ.

A acusação sustenta que o controle funcionou entre 2015 e 2024. Entre os denunciados estão um policial penal e um ex-subsecretário estadual, apontado como responsável por desclassificar empresas não vinculadas ao grupo. Nas buscas, agentes apreenderam cerca de R$ 29 mil em espécie, além de peças de ouro.

Enquanto o Ministério Público descreve uma estrutura montada para eliminar concorrentes, a Secretaria de Estado de Polícia Penal procura marcar distância das condutas investigadas. A pasta afirma que a apuração começou em seus próprios setores de inteligência e corregedoria e que o relatório foi encaminhado ao MPRJ. Em nota, declarou que “não compactua com quaisquer desvios de conduta e cometimento de crimes praticados por seus servidores”.

A Seppen também informou que as cantinas foram encerradas em 2024. Até a publicação das reportagens, não havia manifestação apresentada pelos denunciados; a TV Globo informou que tentava contatá-los.

https://resumosbrasil.com/stories/01a05ec4-4aaf-1074-7302-2a01d7cfe134

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