Pacheco vence de lavada no Senado, mas ainda precisa passar pela Câmara

A indicação ao TCU uniu governo e oposição em torno do ex-presidente do Senado. O placar foi folgado, embora o voto secreto esconda quem formou a resistência e o rito acelerado tenha eliminado a etapa na comissão.
Pacheco vence de lavada no Senado, mas ainda precisa passar pela Câmara

Pacheco vence de lavada no Senado, mas ainda precisa passar pela Câmara
Rodrigo Pacheco saiu do Senado com uma vitória quase consensual, mas ainda não garantiu a cadeira no Tribunal de Contas da União. Entre elogios de aliados e oposicionistas, quatro votos contrários e uma tramitação acelerada expuseram as discretas fissuras da escolha.

O senador do PSB de Minas Gerais recebeu 63 votos favoráveis e quatro contrários. A indicação, apresentada pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre, seguirá agora para a Câmara dos Deputados; se confirmada, Pacheco ocupará a vaga aberta pela renúncia antecipada de Bruno Dantas.

O placar revela apoio amplo, mas não identifica a resistência. Como a votação de autoridades é secreta, o sistema registra apenas quais senadores participaram — sem mostrar como cada um votou. Assim, a convergência entre governo e oposição é numericamente evidente, embora os quatro votos dissidentes permaneçam sem autoria pública.

Na leitura dos apoiadores, essa união foi o principal recado. A indicação teve a assinatura de Alcolumbre e outros 19 senadores, incluindo a líder do governo, Teresa Leitão, e o líder da oposição, Rogério Marinho. “Lideranças de toda ordem foram subscritoras da indicação”, afirmou Alcolumbre.

Já o rito mostrou a força política empregada para acelerar a escolha. Um requerimento de urgência levou o nome diretamente ao plenário, sem análise prévia da Comissão de Assuntos Econômicos. Para os defensores, a rapidez refletiu confiança; sob uma ótica crítica, reduziu uma etapa de escrutínio.

Otto Alencar defendeu aprovação unânime e disse que Pacheco merecia o posto “pela história de vida, pelo trabalho dele, como ele se portou”, destacando sua atuação institucional na presidência do Senado. O contraste final é claro: o Senado tratou a nomeação como reconhecimento de trajetória, mas a palavra decisiva ainda pertence aos deputados.

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