Fim da escala 6x1 ganha impulso, mas exceções ainda travam o debate

Omar Aziz quer acelerar a votação da PEC que reduz a jornada sem cortar salários. O texto reúne amplo apoio político, embora setores como saúde e transporte ainda dependam de regulamentação.
Fim da escala 6x1 ganha impulso, mas exceções ainda travam o debate

Fim da escala 6x1 ganha impulso, mas exceções ainda travam o debate
A proposta de acabar com a escala 6x1 entrou na reta decisiva no Senado, embalada por apoio amplo, mas ainda cercada de dúvidas sobre atividades que não podem simplesmente parar. A aposta é aprovar primeiro e regulamentar as exceções depois.

Relator da PEC na Comissão de Constituição e Justiça, Omar Aziz (PSD-AM) prevê aprovar o texto e remetê-lo imediatamente ao plenário. “É o primeiro item da pauta. A gente espera aprovar na comissão e pedir um calendário especial para votar em Plenário”, afirmou. A líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE), conduz a negociação pela urgência.

De um lado, Aziz defende velocidade máxima: quer preservar integralmente o texto aprovado pela Câmara e admite conceder apenas algumas horas caso haja pedido de vista. Um calendário especial permitiria votar a PEC em dois turnos na mesma sessão. “Quem faltar amanhã, vai faltar porque não quer votar o fim da 6×1”, disse o senador, elevando a pressão sobre os colegas.

Do outro, a mudança exigirá cautela na aplicação. O relator reconhece que transporte, saúde e atividades em alto-mar têm necessidades específicas e deverão ser tratados posteriormente por leis complementares. Assim, a regra geral avançaria agora, enquanto os detalhes operacionais ficariam para uma segunda etapa.

Aziz também tenta afastar a leitura eleitoral da proposta. Ele cita a aprovação por mais de 400 deputados, de diferentes campos políticos, e estima que cerca de 37 milhões de trabalhadores poderão ser beneficiados. “Não é uma PEC sobre um dia de trabalho a menos por semana. É a PEC da empatia”, declarou.

Ao comparar a medida à criação do 13º salário e à redução da jornada de 48 para 44 horas, o relator sustenta que a nova mudança não irá “quebrar o país nem o comércio”. O consenso político, porém, ainda terá de sobreviver ao teste das exceções setoriais.

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