Pró-governo diz que músicos abrem nova frente contra a Suno por imitação de vozes
Pró-governo diz que músicos abrem nova frente contra a Suno por imitação de vozes
A disputa sobre música criada por inteligência artificial entrou em terreno mais pessoal. Em vez de discutir apenas quem controla gravações e composições, quatro artistas querem definir até onde uma plataforma pode reproduzir uma voz, um sotaque ou um estilo reconhecível.
Jason Isbell, David Lowery, Guy Forsyth e Eduardo Calle pediram à Justiça federal de Massachusetts que reconheça como coletiva a ação contra a Suno. Eles acusam a empresa de usar nomes, imagens e características artísticas sem consentimento, permitindo a criação de faixas que evocariam identidades específicas. O processo busca indenização não divulgada e uma ordem para interromper essa exploração.
A distinção é central: gravadoras vêm processando empresas de IA pelo suposto uso de obras protegidas no treinamento de modelos; os músicos, por sua vez, concentram-se no direito individual à própria identidade. “O direito de identidade pertence ao artista, independentemente de quem detenha os direitos autorais da gravação original”, sustenta a ação.
Como exemplo, os autores dizem que um comando com o nome de Isbell gerou “Paper Bell”, canção que imitaria seus vocais límpidos e seu sotaque country. A denúncia também afirma que restrições poderiam ser contornadas pela digitação dos nomes de artistas com espaços entre as letras.
A Suno apresenta uma versão oposta. Um representante classificou as alegações como “sem fundamento” e disse que a empresa pretende contestá-las. Mikey Shulman, cofundador e CEO, afirmou que a plataforma “nunca permitiu comandos que mencionassem artistas específicos ou obras protegidas por direitos autorais”. Segundo ele, nomes de músicos foram deliberadamente excluídos dos metadados de treinamento porque o objetivo é criar canções originais, não reproduzir artistas existentes.
As duas posições convergem apenas no reconhecimento de que há uma fronteira a preservar; divergem sobre onde ela foi cruzada. Enquanto a Suno aponta salvaguardas técnicas, os músicos dizem que os resultados desmentem essas proteções. O processo poderá estabelecer quando inspiração algorítmica passa a ser imitação ilegal.
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