Escala 6x1 vence na CCJ, mas batalha no plenário ameaça travar a PEC

A redução da jornada avançou com apoio expressivo, mas ainda enfrenta críticas sobre custos, calendário eleitoral e a difícil busca por 49 votos em dois turnos no Senado.
Escala 6x1 vence na CCJ, mas batalha no plenário ameaça travar a PEC

Escala 6x1 vence na CCJ, mas batalha no plenário ameaça travar a PEC
O fim da escala 6x1 atravessou a CCJ com folga, mas deixou para o plenário a batalha mais difícil. De um lado, governo e movimentos de trabalhadores pressionam por uma votação rápida; do outro, opositores alertam para impactos econômicos e acusam o Planalto de explorar o calendário eleitoral.

Na comissão, a correlação de forças foi clara. Dos 27 senadores presentes, apenas Rogério Marinho, Jaime Bagattoli, Tereza Cristina e Hamilton Mourão pediram o registro formal de voto contrário. O texto reduz gradualmente a jornada máxima de 44 para 40 horas semanais, sem corte salarial, e garante duas folgas por semana — mudança que, na prática, inviabiliza a atual escala de seis dias de trabalho por um de descanso. Marinho argumentou que a medida poderia elevar custos e produzir efeitos sobre “inflação, desemprego e informalidade”.

O governo enxerga o avanço como resposta a uma reivindicação histórica. A proposta tornou-se “uma das principais bandeiras trabalhistas defendidas pelo governo Lula e por movimentos de trabalhadores”, enquanto aliados sustentam que o amplo apoio social justifica acelerar a decisão.

A oposição reconhece a popularidade do tema, mas contesta tanto o conteúdo quanto o momento. Seus senadores dizem que a votação teria caráter eleitoral e defendem mais debate sobre os efeitos para empresas, especialmente aquelas que operam continuamente ou dependem de mão de obra intensiva. A divergência, portanto, não se limita à duração da jornada: envolve quem absorverá os custos e se o Congresso está legislando sob pressão da disputa política.

O relator Omar Aziz manteve intacta a versão aprovada pela Câmara, evitando uma nova análise dos deputados caso o Senado confirme o texto. Ainda assim, a vitória está longe de assegurada: por ser uma PEC, a proposta precisa de pelo menos 49 votos em cada um dos dois turnos. Para acelerar a tramitação, serão necessários 54 senadores — um teste bem mais duro do que a votação simbólica na CCJ.

https://resumosbrasil.com/stories/01a06534-15bd-126e-7366-1eb558c7a5c7

Write a comment