Fim da 6x1 passa na CCJ, mas a batalha decisiva só começou
Fim da 6x1 passa na CCJ, mas a batalha decisiva só começou
O fim da escala 6x1 venceu sua primeira grande batalha no Senado, mas ainda está longe de virar realidade. A promessa de mais descanso agora esbarra no confronto entre apelo social, impacto econômico e cálculo eleitoral.
A Comissão de Constituição e Justiça aprovou simbolicamente a PEC que reduz a jornada máxima de 44 para 40 horas semanais, sem corte salarial, e garante dois dias de repouso remunerado. A transição começaria com 42 horas antes de chegar às 40; acordos coletivos poderiam organizar a distribuição da jornada, e pequenas empresas teriam medidas temporárias para absorver o impacto.
Para o governo e movimentos de trabalhadores, trata-se de corrigir uma rotina que obriga milhões de pessoas a trabalhar seis dias para descansar apenas um. Aliados de Lula apresentam o avanço como resposta a uma reivindicação histórica — lembrada, segundo Paulo Paim, desde os debates que levaram à Constituição de 1988 — e rejeitam a acusação de oportunismo eleitoral.
A oposição reconhece o apoio popular ao tema, mas contesta o momento e o desenho da mudança. Parlamentares contrários dizem que a pressa teria “caráter eleitoral” e alertam para custos maiores às empresas. Rogério Marinho, Jaime Bagattoli, Hamilton Mourão e Tereza Cristina registraram posição contrária; emendas para preservar maior flexibilidade nas escalas e ampliar a transição foram rejeitadas.
A diferença central está menos no desejo de melhorar a vida dos trabalhadores do que em quem pagará pela mudança e com que velocidade. O relator Omar Aziz preservou o texto aprovado pela Câmara para evitar que a PEC voltasse aos deputados. Agora, serão necessários ao menos 49 votos em cada um dos dois turnos do plenário — e uma articulação ainda maior para acelerar os trâmites.
Lula resumiu a leitura governista: “Vitória importante! Só falta mais esse passo para os dois dias de descanso semanais e a jornada de 40 horas se tornarem realidade”. Para os críticos, justamente esse último passo exigirá um debate menos celebratório sobre custos, exceções e adaptação dos setores que não podem parar.
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