Novo repasse abre rombo na versão sobre o filme de Bolsonaro

Uma transferência em setembro de 2025 contraria a cronologia apresentada por Flávio Bolsonaro. O relato, porém, integra uma delação ainda não homologada e inclui suspeitas sem comprovação definitiva.
Novo repasse abre rombo na versão sobre o filme de Bolsonaro

Novo repasse abre rombo na versão sobre o filme de Bolsonaro
A cronologia do financiamento de “Dark Horse”, cinebiografia sobre Jair Bolsonaro, ganhou uma fissura difícil de ignorar. Um pagamento teria ocorrido quatro meses depois da data apontada por Flávio Bolsonaro como o fim dos repasses — mas o relato ainda depende do aval do Supremo.

Antônio Carlos Freixo Júnior, dono da Entre Investimentos, firmou acordo de colaboração com a Procuradoria-Geral da República e relatou pagamentos feitos a pedido do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Segundo a apuração, ao menos sete transferências seguiram para o fundo Havengate, no Texas; uma delas, de US$ 1,6 milhão, ocorreu em 16 de setembro de 2025, dois meses antes da prisão de Vorcaro e quatro meses após o prazo mencionado por Flávio.

Essa leitura coloca a contradição no centro do caso. Freixo Júnior também teria descrito entregas de dinheiro vivo em malas e indicado endereços, embora tenha afirmado que não sabia que os recursos se destinavam ao filme. Ele não citou autoridades com foro privilegiado. A PF e a PGR suspeitam que parte do dinheiro possa ter custeado despesas de Eduardo Bolsonaro no exterior; o ex-deputado nega ter recebido repasses.

A perspectiva mais cautelosa, porém, enfatiza o que ainda não está estabelecido. A colaboração foi enviada ao ministro André Mendonça e precisa ser homologada. Tampouco se sabe quanto dos R$ 159,2 milhões recebidos pela Entre de fundos investigados chegou efetivamente ao filme ou à produtora. O acordo de financiamento previa R$ 124 milhões, dos quais R$ 61 milhões teriam sido pagos por Vorcaro.

Há ainda dúvidas sobre os gastos. Uma perícia privada encomendada pela Go Up Entertainment apontou que 72% das despesas ocorreram nos Estados Unidos, embora as filmagens tenham sido realizadas no Brasil; custos da pré-produção foram classificados como “estratosféricos” por profissionais consultados.

As duas leituras convergem num ponto: existe uma transferência posterior à cronologia divulgada e uma trilha financeira sob investigação. Divergem no peso da revelação — para uma, ela desmonta a versão anterior; para outra, permanece como elemento de uma delação ainda não validada judicialmente.

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