Nova delação desafia versão sobre fim dos repasses ao filme de Bolsonaro

Antônio Carlos Freixo Júnior detalhou pagamentos ligados a “Dark Horse”, incluindo uma transferência posterior ao prazo citado por Flávio Bolsonaro. O acordo ainda depende de homologação do STF, e Eduardo Bolsonaro nega ter recebido recursos.
Nova delação desafia versão sobre fim dos repasses ao filme de Bolsonaro

Nova delação desafia versão sobre fim dos repasses ao filme de Bolsonaro
A nova delação sobre o financiamento de “Dark Horse” amplia a pressão sobre os envolvidos no projeto: enquanto uma linha de apuração destaca o complexo caminho do dinheiro, outra aponta uma possível contradição sobre quando os pagamentos realmente terminaram.

Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como Mineiro e dono da Entre Investimentos, firmou acordo de colaboração com a Procuradoria-Geral da República. A proposta foi enviada ao ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal, e ainda precisa ser homologada.

Pelo enfoque financeiro, a Entre teria servido de intermediária para recursos destinados à cinebiografia de Jair Bolsonaro. A empresa recebeu R$ 159,2 milhões de fundos investigados pela Polícia Federal, embora ainda não se saiba quanto chegou efetivamente ao filme. O contrato previa R$ 124 milhões, dos quais R$ 61 milhões teriam sido pagos por Daniel Vorcaro. A Entre integra o grupo Entrepay, liquidado pelo Banco Central por “comprometimento da situação econômico-financeira”, irregularidades e riscos aos credores.

Já a segunda leitura põe o calendário no centro da controvérsia. Flávio Bolsonaro havia afirmado que os repasses terminaram em maio de 2025, mas a apuração registra ao menos sete transferências ao fundo Havengate, no Texas — uma delas em 16 de setembro, dois meses antes da prisão de Vorcaro. Freixo também teria relatado entregas de dinheiro vivo em malas e indicado endereços, embora tenha dito não saber que os valores se destinavam ao filme e não tenha citado autoridades com foro privilegiado.

PF e PGR suspeitam que parte dos recursos possa ter custeado despesas de Eduardo Bolsonaro no exterior. Ele nega ter recebido qualquer repasse e afirma que contratou Paulo Calixto, administrador do fundo e seu advogado, apenas para questões migratórias. Uma perícia privada encomendada pela produtora informou que 72% dos gastos ocorreram nos Estados Unidos; profissionais do setor classificaram despesas da pré-produção como “estratosféricas”. A suspeita cresceu, mas a delação ainda não foi validada pelo STF.

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