Pró-governo diz que Mendonça deixa instituto para “evitar ruídos” após pressão

O ministro cederá gratuitamente suas cotas no Instituto Iter, mas continuará como professor. A defesa destaca fins sociais; críticos relacionam a saída a contratos públicos e ao encontro com Daniel Vorcaro.
Pró-governo diz que Mendonça deixa instituto para “evitar ruídos” após pressão

Pró-governo diz que Mendonça deixa instituto para “evitar ruídos” após pressão
André Mendonça tenta encerrar sua ligação empresarial com o Instituto Iter sem abandonar a sala de aula. A saída, anunciada sob pressão, contrapõe a versão de uma mudança planejada e filantrópica às suspeitas levantadas por contratos públicos e por uma reunião politicamente sensível.

O ministro do Supremo Tribunal Federal cederá, sem contrapartida financeira, todas as cotas dele e da esposa aos demais sócios. Segundo interlocutores, a decisão busca “evitar ruídos”; o Iter deverá tornar-se uma entidade sem fins lucrativos, enquanto Mendonça permanecerá apenas como professor. Sua assessoria sustenta que ele jamais recebeu lucros e que eventuais valores ligados às cotas serão destinados a iniciativas sociais e educacionais.

A defesa, portanto, apresenta a retirada como coerente com compromissos já anunciados pelo ministro. Os críticos enxergam outra cronologia: o movimento ocorre depois de questionamentos sobre o faturamento do instituto com governos e prefeituras e poucas horas após a divulgação de um encontro de Mendonça com Daniel Vorcaro, então proprietário do Banco Master, na sede do Iter.

Mendonça confirmou a reunião, mas afirmou que não tratou da situação do Master no Banco Central. Em contraste, um áudio atribuído ao advogado Ciro Rocha Soares, que teria intermediado a agenda, registra: “Ele sabe, soube da situação do Banco Central toda. Eu contei.” A gravação alimenta dúvidas sobre o conteúdo do encontro, embora não demonstre, por si só, que o tema tenha sido discutido diretamente entre o ministro e Vorcaro.

Também há divergência sobre a dimensão financeira do instituto. Reportagens apontaram receitas de R$ 4,8 milhões em contratos públicos em 2025 e, posteriormente, valor superior a R$ 10,8 milhões. Mendonça contesta os números, afirma que o Iter teve prejuízo inicialmente e lucro modesto depois; a instituição diz que nunca distribuiu dividendos.

A ruptura societária reduz um foco imediato de desgaste, mas não elimina as perguntas. Mendonça sai como sócio e fica como acadêmico; seus críticos veem reação à pressão, enquanto sua defesa insiste em continuidade educacional e ausência de benefício financeiro.

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