Pró-governo diz que Operação Ícaro expõe suspeita de corrupção no alto escalão da Fazenda paulista
Pró-governo diz que Operação Ícaro expõe suspeita de corrupção no alto escalão da Fazenda paulista
A Operação Ícaro chegou à antiga cúpula da administração tributária de São Paulo, contrapondo a acusação de um esquema milionário de propinas à reação do governo, que procura enfatizar sua colaboração com as investigações.
O Ministério Público de São Paulo prendeu preventivamente André Weiss, ex-diretor-geral executivo da Administração Tributária, e o advogado João André Buttini de Moraes. Para os investigadores, Buttini liderava o núcleo privado, enquanto Weiss teria integrado o núcleo público de uma organização que interferia em ressarcimentos de ICMS-ST e no reconhecimento de créditos acumulados.
A apuração sustenta que Buttini repassou R$ 13,6 milhões ao ex-delegado tributário Paulo Sérgio Siqueira Prado entre 2021 e 2025. Em colaboração premiada, Prado afirmou ter destinado cerca de R$ 4,5 milhões a Weiss, com entregas em espécie transportadas em mochilas. As propinas corresponderiam a porcentagens dos créditos liberados, variando de 1% a 10%.
Uma gravação de julho de 2023 reforça, na interpretação do MP, a suspeita de lavagem de dinheiro. No áudio, Weiss comenta a possibilidade de comprar uma sauna: “E para lavar também é bom”. Depois, ao falar sobre sinais de riqueza, teria alertado: “Você é algemado… chega um promotor pra me prender na hora lá.” Os documentos não indicam que a compra tenha ocorrido.
A narrativa da acusação descreve uma engrenagem complementar: profissionais privados captariam grandes contribuintes e negociariam facilidades; servidores acelerariam, centralizariam ou aprovariam processos. Já a Secretaria da Fazenda procura separar a instituição dos investigados e destacar sua resposta administrativa. Segundo a pasta, houve cinco demissões, uma exoneração e 17 afastamentos sem remuneração. Autuações contra empresas teriam constituído mais de R$ 3 bilhões em créditos tributários, multas e juros.
Além das duas prisões, seis investigados foram afastados das funções e 27 ficaram proibidos de deixar o país ou manter contato entre si. O MP cita documentos manuscritos, dados bancários, relatórios financeiros e a gravação periciada como elementos de corroboração. As reportagens informaram que as defesas de Weiss e Buttini ainda não haviam se manifestado — contraponto indispensável num caso que permanece sob investigação, sem condenação definitiva.
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