Pró-governo diz que Tarcísio aplicou punição máxima a Delegado Da Cunha por encenação

A gestão paulista rompeu o vínculo do deputado com a Polícia Civil após um processo disciplinar sobre a reencenação de um resgate. Da Cunha alegava que a gravação ajudaria a investigação, versão contestada por especialistas.
Pró-governo diz que Tarcísio aplicou punição máxima a Delegado Da Cunha por encenação

Pró-governo diz que Tarcísio aplicou punição máxima a Delegado Da Cunha por encenação
Tarcísio de Freitas encerrou a carreira policial que ajudou a projetar Carlos Alberto da Cunha na política e nas redes sociais. De um lado, o governo paulista aponta infrações graves; de outro, o deputado sustenta que a gravação no centro do caso tinha finalidade investigativa.

A demissão “a bem do serviço público”, uma das sanções mais severas da Polícia Civil, foi publicada no Diário Oficial. O processo enquadrou a conduta de Da Cunha como “procedimento irregular, de natureza grave” e “improbidade”. Como estava licenciado para exercer o mandato de deputado federal, ele já não recebia salário da corporação, mas ainda preservava o vínculo funcional.

O episódio decisivo ocorreu em 2020, depois de policiais libertarem uma vítima de sequestro e prenderem o suspeito. Segundo depoimentos reunidos pela Corregedoria, Da Cunha teria ordenado que ambos retornassem ao imóvel para que o resgate fosse reencenado diante de sua equipe de filmagem. A sequência precisou ser repetida porque, na primeira gravação, o sequestrador apareceu algemado, o que evidenciaria a encenação.

As versões divergem sobre o propósito. A vítima afirmou ter sido informada de que a reprodução serviria como prova, mas disse ter descoberto posteriormente que as imagens seriam publicadas no YouTube. Da Cunha reconheceu a encenação, porém a descreveu como uma “reprodução simulada” destinada a auxiliar o processo; especialistas ouvidos à época contestaram a justificativa e disseram que esse procedimento deveria ser conduzido por peritos.

Para o governo, o histórico tornou a permanência do delegado insustentável, apesar de pedidos de aliados por uma punição mais branda. Para Da Cunha, que anteriormente classificara como falsas as notícias sobre uma possível expulsão, a decisão representou uma reviravolta. O processo judicial relacionado ao episódio foi arquivado em 2024, mas a apuração administrativa seguiu outro caminho e terminou com a perda definitiva do cargo. Procurado pelas reportagens, o deputado não havia comentado a demissão.

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