Mendonça deixa instituto, mas contratos públicos e encontro com Vorcaro mantêm pressão
Mendonça deixa instituto, mas contratos públicos e encontro com Vorcaro mantêm pressão
André Mendonça decidiu cortar o vínculo empresarial com o instituto que fundou, mas não encerrou a controvérsia. De um lado, o ministro apresenta a saída como forma de blindar a atuação acadêmica; de outro, críticos apontam que contratos públicos e uma reunião com Daniel Vorcaro ainda exigem esclarecimentos.
O ministro do Supremo Tribunal Federal cederá, sem contrapartida financeira, todas as cotas dele e da esposa no Instituto Iter. A entidade será transformada em organização sem fins lucrativos, enquanto Mendonça continuará apenas como professor. Segundo sua assessoria, a medida busca “evitar ruídos”, e o ministro “jamais auferiu lucro do instituto”.
A defesa sustenta que eventuais valores ligados às cotas serão destinados integralmente a iniciativas sociais e educacionais. Também afirma que o Iter teve prejuízo no primeiro ano, lucro de cerca de R$ 200 mil no seguinte e nunca distribuiu dividendos. Essa versão contrasta com reportagens segundo as quais a instituição faturou milhões de reais em contratos públicos pouco depois de iniciar suas atividades.
Um dos negócios sob escrutínio é o contrato de R$ 380 mil, sem licitação, firmado com a Prefeitura de São Paulo para capacitar servidores. A gestão municipal diz que a contratação seguiu “estritamente” a Lei de Licitações e que a escolha considerou metodologia, corpo docente e adequação dos cursos; 320 servidores teriam sido certificados.
A pressão aumentou com a revelação de que Mendonça recebeu Vorcaro na sede do Iter em março de 2025. O ministro afirma que não discutiu a situação do Banco Master no Banco Central, embora um áudio atribuído ao advogado Ciro Rocha Soares mencione que Mendonça já conhecia o caso: “Eu contei”.
Mendonça contrapõe que a conversa tratou de um processo sobre precatórios, durou menos de 30 minutos e que sua posição posterior foi contrária ao interesse defendido pelo empresário. Assim, a saída societária responde ao problema institucional imediato, mas deixa aberta a disputa central: para o ministro, trata-se de eliminar aparências de conflito; para os críticos, ainda falta explicar a proximidade entre uma empresa ligada a um integrante do STF, contratos governamentais e interlocutores com interesses na Corte.
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